Luso Ténis

 

   
 

   
           REPORTAGEM DO 7º DIA
         Domingo, 20 de Abril de 2008
         por João Saro | Fotos: Rui do Carmo/LusoTenis.com
   

Federer campeão

Anti-clímax na final com desistência de Davydenko

Tudo apontava para a melhor final de sempre do Estoril Open: número um contra o número quatro mundial e um Court Central com os 6.770 lugares esgotados.

Ao fim de uma hora e 15 minutos, tudo se confirmava. Nível elevadíssimo e, tal como prometera, o russo Nikolay Davydenko a jogar de igual para igual frente ao número um mundial, que ainda procura a melhor sincronização do seu jogo na terra batida. Encontro quente, bom ambiente, boas jogadas, a prometer terceiro set emocionante. Em menos de um minuto, tudo congelou: numa troca de campo, Davydenko parou na rede a falar com Federer e anunciou retirada do encontro devido a uma distensão muscular na perna esquerda.

O suíço Roger Federer acabara de se tornar campeão num torneio ATP pela 54ª vez! O primeiro de 2008! Ao final de 1 hora e 20 minutos, o suíço liderava a contenda com 7-6(5) e 1-2, embora o russo tivesse um 'break' de vantagem no segundo set, placar com que terminou o encontro.

Para o número um mundial, é um grande início da época de terra batida, logo a ganhar um título na superfície em que menos se adapta. «Sinto-me óptimo por ter ganho o torneio! Embora não pela circunstância, nunca tinha ganho uma final assim, com o adversário a desistir», disse Federer, acrescentando: «Gostava de ter celebrado com um match-point, não desta forma».

Sobre um possível regresso, o suíço diz que «depende da Davis Cup. Vamos ver também como corre o resto deste ano, mas é um torneio muito bom, gente simpática, excelente lugar, boa organização... se juntarmos isso tudo é sempre de ponderar». Terá sido a pensar num possível regresso que no seu discurso de vitória disse, perante o Ministro da Economia, que este torneio merecia passar de uma infra-estrutura temporária para um novo estádio fixo?

Kirilenko faz dobradinha

A russa Maria Kirilenko conquistou a sua primeira dobradinha da carreira. Uma das maiores beldades do circuito mundial feminino, juntou assim o título de singulares (o terceiro na carreira) ao título de pares que tinha conseguido na véspera.

Na final, as coisas não começaram da melhor forma e foi a checa Iveta Benesova que adquiriu vantagem no primeiro set com uma Kirilenko a apresentar algumas debilidades físicas [nr: a final chegou mesmo a estar em dúvida]. A meio do set pediu intervenção médica e deu-se a viragem do encontro. «Foi difícil manter-me quente, foi a chave do set e também do encontro», confirmou a checa que viu a russa arrancar para a vitória.

Ao fim de menos de hora e meia (fora a interrupção devido ao tempo), Maria Kirilenko celebrava a vitória com os parciais 6-4 e 6-2. Triunfo que dedicou ao seu treinador, Eric Van Harpen, e seu pai, Uri Kirilenko.

Moodie e Coetzee levam o "caneco" de pares

Enquanto as atenções estavam viradas para o início da final masculina, que opunha Roger Federer a Nikolay Davydenko, desenrolava-se a final de pares masculina no Centralito.

Tal como em singulares, a final colocava frente a frente as duas duplas favoritas do torneio, tal como em singulares, a final acabou com a vitória dos primeiros cabeças-de-série. A diferença é que este encontro acabou com um emocionante 'champions tie-break' e foi uma vantagem de apenas dois pontos que deu o título à dupla sul-africana formada por Wesley Moodie e Jeff Coetzee diante do britânico Jamie Murray (irmão de Andy Murray) e o zimbabueano Kevin Ullyett.

O resultado final foi 6-2, 4-6 e 10-8!

Veja todos os quadros aqui

João Sousa recebe o Prémio Revelação

A cerimónia de atribuição deste prémio decorreu na Sponsors Village, junto ao 'stand' da João Lagos Sports e o "troféu" era um relógio no valor de 2.500€. O vencedor não podia deixar de ser João Sousa, o tal vimaranense do top 800 mundial que se encontra radicado em Espanha e veio ao Jamor ganhar quatro encontros - dois deles diante de jogadores do top-200 - com uma qualificação pelo meio. Só perdeu na segunda ronda para um duelo 100% português, com Frederico Gil, no qual equilibrou até... a chuva aparecer!

Entre os portugueses, houve mais dois que se destacaram entre os sete que participaram nos quadro principais: Frederico Gil (pela segunda vez nos quartos-de-final, tornando-se no melhor português de sempre a participar no Estoril Open) e Rui Machado (que venceu a primeira ronda frente ao croata Ivo Karlovic).

Recorde de assistências

Ao longo dos 9 dias de Estoril Open, passaram pelo complexo do Jamor 53.888 espectadores. Um número recorde que supera em mais de 10 mil o número obtido em 2007, o anterior recorde absoluto do torneio, mesmo que os últimos quatro dias tenham sido algo afectados pela chuva.