Luso Ténis

 

Luso Ténis

 

Texto: Vítor Espírito Santo

Entrevistas/Reportagens

Fotos: Rui do Carmo/Lusotenis.com  
31 de Maio de 2008 (publicado a 17 de Junho)  
 

ENTREVISTA COM... FREDERICA PIEDADE

 

Balanço

“Quando atingi o meu melhor ranking de sempre, elevei demasiado a fasquia. (…) Hoje em dia proponho objectivos a curto prazo.”

LusoTénis (LT): Olá, Frederica! Antes de mais, obrigado por aceitares a entrevista para o LusoTénis. Jogadora referência no panorama nacional, 10 títulos internacionais de singulares, 16 de pares, melhor ranking de sempre (142ª), como encaras estes resultados? São para ti um motivo de orgulho?

Frederica Piedade (FP): Acho que o meu objectivo sempre foi chegar o mais longe possível no ranking, independentemente se era a melhor ou se não chegava a ser a melhor. Nunca pensei nisso, mas é óbvio que tenho objectivos, sempre que entro num torneio o meu objectivo é vencê-lo, penso jogo a jogo mas é óbvio que me sinto bem, é uma profissão como outra qualquer, qualquer pessoa que dê o seu melhor e consiga atingir os objectivos a que se propõe sente-se sempre orgulhosa.

LT: Há anos como profissional da modalidade, qual o balanço que fazes da tua carreira? Atingiste os teus objectivos? Chegaste onde querias? Ou superaste as expectativas?

FP: Houve uma altura em que eu achava que já tinha conquistado tudo aquilo que eu queria, pelo menos os objectivos que eu achava que podia alcançar. Houve uma altura, quando atingi o melhor ranking de sempre, que elevei um pouco demais a fasquia. Queria chegar a top 100, mas depois as coisas correram-me pior, baixei para 300, não era propriamente o tipo de percurso que eu pretendia fazer e penso que fiquei algo obcecada por isso. Eu agora estou a tomar as coisas de uma maneira muito mais relaxada, vou propondo objectivos mais alcançáveis a curto prazo, de três em três semanas ou de mês a mês vou avaliando…penso que os objectivos devem ser definidos consoante aquilo que uma pessoa sente na altura, não posso definir que quero ser top 100 e depois estar lesionada durante 2 meses…são coisas que agora com mais experiência e idade, já consegui atingir essa maturidade.  

LT: Qual consideras ter sido o melhor momento da tua carreira?

FP: (Após um momento de reflexão) Acho que quando comecei a jogar os Grand Slams. Sempre achei que com muito trabalho conseguia chegar lá. Foi a concretização de um sonho.

LT: De todos os teus títulos, qual é aquele que é mais especial para ti?

FP: Todos tiveram os seus momentos especiais, foram em alturas diferentes, os 10.000 depois passei para os 25.000, sempre foram títulos diferentes mas acho que o primeiro título é sempre o mais importante.  

LT: Na mesma linha de pensamento, qual foi a melhor vitória da tua carreira ou o jogo que te deu mais prazer, que te lembras de sair mais satisfeita do court, que sentes que puseste em prática tudo aquilo que pretendias?

FP: É difícil, nós definimos um plano de jogo e o modo como vamos jogar mas por vezes esquecemo-nos que está uma pessoa do outro lado a complicar-nos a vida, por isso é complicado fazer do princípio ao fim aquilo a que nos propomos. Lembro-me que houve um jogo da qualificação do Estoril Open que eu ganhei quando ainda era muito nova, que ganhei à Raluca Sandu. Este foi um daqueles jogos em que eu disse “Eu mereci ganhar este jogo” e foi uma vitória muito saborosa (na altura em 2000 Frederica, como nº 844 mundial, derrotou a 162 mundial em 3 sets: 7-6(4) 5-7 6-4).  

LT: Tiveste a oportunidade de disputar várias qualificações de Grand Slams, qual foi aquele que mais gostaste de participar? Quais são as principais diferenças em termos de ambiente?

FP: Apesar de Wimbledon ter sido o Grand Slam onde tive melhores resultados porque adoro jogar em relva, não foi o meu preferido. O meu preferido é o Australian Open pelas pessoas, pelo país e pelo ambiente em geral. Adorei o país e sinto que trataram as jogadoras da qualificação da mesma maneira que tratam as jogadoras do quadro principal. Tal não acontece em Wimbledon e Roland Garros onde há uma diferença enorme…então nem parece que estás a jogar um Grand Slam. Parece que as grandes figuras estão de um lado e as que estão a jogar a qualificação estão do outro. Quanto ao Open dos Estados Unidos, sou um pouco suspeita porque não gosto dos americanos e acho que já parto de pé atrás sempre que vou para lá.

LT: Tendo tu disputado uma série de torneios de diferentes categorias, desde 10.000$ até Tier III, quais notas que são as grandes diferenças entre estes torneios? Por exemplo, entre 10k e 25k, notas diferenças significativas?

FP: Quando eu comecei pelos torneios de 10.000$, era uma fase que eu tinha de passar, mesmo que eu tivesse com ranking. Acho que é importante para todas as jogadoras passarem por essa fase. Aqui as pessoas estão todas à procura do mesmo, subir no ranking, ganhar pontos, ficam 5 horas no campo se for preciso para ganhar um jogo e nos 25.000$ as coisas já são um pouco diferentes. Como as jogadoras já atingiram um certo nível, parece que se vão acomodando um pouco a isso. O ambiente é diferente, nos 25.000$ as jogadoras são muito mais profissionais do que as pessoas que andam nos 10.000$. Agora que eu voltei a jogar os 10.000$, foi uma questão de opção, não é porque ache que tenha de passar por isto novamente. Não foi uma questão de achar que estou a jogar mal e que preciso de confiança, mas a verdade é que viajei muito desde Dezembro do ano passado e eu queria parar um pouco. Queria estar a descansar um pouco em casa, estar em Portugal, estar com a minha família porque há muito tempo que não estava, então foi uma questão de opção, juntei o útil ao agradável, em vez de estar parada em casa só a treinar, vim fazer jogos. Obvio que tenho sempre o objectivo de ganhar, dar o meu melhor, mas já não é a mesma motivação que eu tinha há alguns anos atrás quando ainda tinha de passar por isto, porque sabia que era uma coisa importante para mim. Agora sei que isto foi só uma opção minha, o meu objectivo não é ganhar os 3 ITFs seguidos, óbvio que se o fizer muito melhor para mim.

Fase negativa e Mudança de Direcção Técnica

“Não me arrependo de ter ido para a Argentina, se fosse hoje faria o mesmo mas escolheria uma equipa técnica diferente.”

LT: Falando um pouco dos momentos menos positivos, o que faltou para atingir o top 100? Atingiste o limite ou pensas que tens ténis para ir mais longe?

FP: Penso que tinha ténis para atingir o top 100…o meu problema foi que penso que fiz algumas más escolhas na gestão da minha carreira. Houve momentos em joguei demasiado pelo seguro no calendário, continuei a jogar torneios 25.000$ quando deveria ter dado o salto numa altura em que estava mais confiante. Ao ficar na mesma categoria, foram surgindo algumas derrotas inesperadas mas normais, o nível de competição também estagna e quando dei por mim estava a perder sucessivamente na 1ª ronda desses torneios. Penso que foi esse o meu maior erro.

LT: Na altura que estavas a subir no ranking e perto do top 100, optaste por não continuar com o teu pai como técnico e acabaste por quase “residir” na América Latina? Quais foram as principais motivações? Porquê a América Latina? Se fosse hoje, terias feito o mesmo?

FP: Já na altura que estava na parte inferior do top 200 eu e o meu pai tínhamos decidido que íamos tentar outra opção técnica. Isto partiu também muito por parte dele porque sentiu que para eu continuar a evoluir necessitava de outro apoio. Relativamente à escolha da Argentina, foi porque eu conheci um preparado físico excelente, acho que nunca vou trabalhar com ninguém como ele e que me ajudou imenso na parte física e perda de peso, tudo aspectos muito importantes na fase em que pretendes atingir o top 100 e na qual eu tinha bastantes dificuldades. Ele quis trabalhar comigo e depois também acordei com um treinador que mais tarde acabou por mudar de ideias e foi trabalhar para o México. Eu recusei-me a ir para o México e como tal tudo isso não correu muito bem. Se fosse hoje teria ido na mesma para a Argentina mas não teria escolhido a mesma direcção técnica, por razões óbvias.

LT: Qual foi o pior momento da tua carreira?

FP: Não sei, acho que foi quando comecei a ver o meu ranking a baixar semana após semana até número 300. Até deixei de o consultar, foi mesmo uma sensação muito má após tanto trabalho para atingir o ranking que eu tinha. 

LT: A tua carreira foi também sempre marcada por graves lesões, no joelho esquerdo, ombro, intoxicações alimentares…aconteceu de tudo um pouco…sentes que isso perturbou a tua ascensão e que foi uma causa importante para não chegares mais longe?

FP: Sim, tive problemas de toda a espécie. Na altura em que estava com um ranking por volta dos 140, tive uma lesão no pé e tive que ficar parada durante 2 meses e quando digo parada é mesmo sem treinar. A nível físico foi muito prejudicial porque também não podia treinar, por isso tive grandes perdas a esse nível. Depois, cometi o erro de regressar imediatamente à competição e atirar-me às feras, e acabei por entrar numa série muito negativa. No fundo, apenas queria manter o meu ranking porque já tinha ficado dois meses parada e não queria continuar nessa situação.  

Ténis Português

“Em Portugal não existe mentalidade para formar grandes jogadores, (…) a partir de um pequeno sinal, faz-se logo um grande alarido.”

“Tudo o que eu disser sobre a Michelle pode ser mal interpretado por ela poder ultrapassar o record que estabeleci”

LT: Como avalias o estado do ténis em Portugal? Melhor/Pior que na tua altura? Apoios?

FP: Acho que em Portugal não existe uma grande mentalidade para formar grandes jogadores. Os miúdos são demasiado mimados, as culpas são sempre atribuídas aos treinadores, os pais acham os miúdos têm de ser levados ao colo. Esta carreira exige muito sacrifício, dedicação e humildade. No meu caso, como nunca achei que teria de ficar em Portugal para fazer carreira e sempre optei por competir e mais tarde treinar no estrangeiro, acabei por ficar algo mal vista. A Federação não tem muito dinheiro para apoiar os jovens mas penso que a gestão do dinheiro não é muitas vezes feita da melhor forma, há certas coisas onde não era necessário gastar, podendo esse dinheiro ser utilizado noutro sentido mais proveitoso.

LT: Financeiramente é difícil manter uma carreira a este nível, certo? Achas que os portugueses têm mais dificuldades que outros países de saem as jogadoras com quem normalmente competes?

FP: Penso que é muito complicado entrar neste tipo de competições e fazer uma época preenchida se não houver possibilidades. Com despesas de inscrição, viagens, hotéis e refeições, pode-se gastar 1000 euros numa semana, o que é imenso e longe de ser para todos os bolsos. Obviamente que há jogadoras que vão tendo patrocínios que vão cobrindo as despesas e a partir do momento que sobes de nível de torneio para 25.000$, 50.000$ e por aí fora, já começas a ter algum retorno. Agora fazer carreira em torneios de 10.000$ e viver disso é impossível, a menos que realmente se tenha uma base financeira bem confortável.

LT: Como tem sido a acção da AJTP (Associação de Jogadores de Ténis de Portugal)? Tem sido um órgão algo inerte?

FP: Hoje em dia já não sou presidente. Acabava por estar muito afastada e não envolvi demasiado. A Federação sentiu-se um pouco ameaçada quando a AJTP surgiu forte e com vontade de agitar as águas…contudo, hoje em dia, as relações entre as duas instituições estão bem melhores e existe diálogo interno, sem sair para a imprensa.

LT: Tiveste vários problemas com a Federação Portuguesa de Ténis (FPT)…na altura por falta de apoio e divergências relativas a políticas de financiamento e FedCup...queres comentar essa situação? Como estão as coisas agora? Que posição tomas?

FP: Sim, tive problemas com a Federação porque tal como disse antes nunca fui de ficar calada quando sinto que estou a ser prejudicada. Quando fui basicamente obrigada a jogar os Campeonatos de Europa, que para pouco servem, e onde as selecções levam sempre a 3ª linha, com a penalização de não receber o fundo olímpico que me tinha sido atribuído por meu mérito, obviamente que achei muito injusto. Hoje em dia, as coisas estão muito mais estáveis e a relação que tenho com a Federação é boa.

LT: E quanto à selecção? Planeias voltar a jogar? O Pedro Cordeiro abordou-te nesse sentido, certo?

FP: Na altura do Estágio da Davis Cup, o Pedro Cordeiro falou comigo e eu dei-lhe a minha posição de sempre. Tenho um orgulho enorme em defender as cores nacionais, contudo não treino em Portugal e as coisas não me podem ser avisadas com 2 semanas de antecedência. Tenho um plano de competição estabelecido para 1/2 meses e como tal estes assuntos devem ser abordados com tempo para ser efectuado um planeamento adequado e ajustado às necessidades de ambos.

LT: Caso Paulo Lucas? Achas que houve falta de comunicação entre vocês? Achas que ele não estava efectivamente ao serviço da selecção? Colocou os interesses pessoais à frente da selecção?

FP: Pois, essa tema já é mais para uma revista cor-de-rosa. O Paulo Lucas e eu temos divergências pessoais naturais e como tal nunca tivemos grande relação desde os tempos que ele era seleccionador de iniciados. Na altura em que esta equipa andou em campanha para a Federação, utilizou muito o meu nome como bandeira “A Frederica vai jogar a Fed Cup” e sinto que fui um pouco usada nessa questão. Depois, penso que a partir do momento em que o Paulo Lucas assumiu o posto, acabou por haver algum relaxamento e muitas das coisas que me tinham sido prometidas não foram cumpridas. Depois estive na Quinta da Beloura no ano passado e ele nem me dirigiu a palavra, nem me concedeu um wildcard, tendo-os oferecido às jogadoras do seu clube que nem sequer eram portuguesas. 

LT: Qual é a relação entre os jogadores portugueses? Unidos ou rivais? Por exemplo com as jogadoras da tua geração?

FP: Não somos rivais e em geral os jogadores dão-se bem. Há uns anos a Nogui e eu tivemos alguns atritos devido a umas declarações por parte dela mas hoje em dia tudo é diferente. As três crescemos, amadurecemos e estamos de bem umas com as outras.

LT: E o Estoril Open? Como prevês a evolução deste torneio? Vês um futuro risonho no que toca a instalações?

FP: Para aquilo que o Estoril Open traz ao país e o que o João Lagos é capaz de fazer (viu-se este ano como ele conseguiu trazer o Federer), o torneio merecia um complexo adequado. O torneio é muito bem organizado e o João Lagos merecia esse reconhecimento.

LT: Os nomes Michelle Brito e Gastão Elias andam nas bocas do ténis nacional e internacional Achas que vão chegar longe? Como vês isso? Já estiveste no mm torneio com a Michelle, como te pareceu o seu jogo e atitude? Como vês a possibilidade de ela melhorar o teu record?

FP: Relativamente à Michelle, tenho de ter muito cuidado com as palavras porque sou suspeita e basta eu deslizar um pouco e toda a gente vai começar a dizer que faço comentários por ela ser a minha sucessora e poder bater o meu record. O meu objectivo nunca foi bater o record da Sofia Prazeres. Acho excelente que a Michelle consiga fazer o mesmo e espero mesmo que o seu objectivo (e seguramente é) seja bem mais alto do que aquilo que eu atingi porque senão estávamos mal. No entanto, não deixo de dizer que penso que estes dois “fenómenos” devem ser geridos com muita precaução.

O Gastão é um miúdo muito introspectivo, quer em jogo, quer fora de court, e parece que foi quase atirado aos leões ao ir para os Estados Unidos. Penso que existe uma pressão enorme sobre ele e não sei até que ponto a sua ida para o Estados Unidos e a gestão da sua carreira pela IMG possam ser benéficas para ele…digo isto um pouco pela personalidade dele…ele vem ao Estoril Open e se calhar não atinge os resultados que todos esperavam e começa obviamente a ouvir comentários a dizer que afinal o Gastão não é assim tão bom…é uma tremenda questão psicológica que é difícil para todos os jogadores mas que uns sabem lidar melhor com ela do que outros. Por isso não sei se no seu caso e tendo a conta sua personalidade se é a melhor opção.

Quanto à Michelle, como já vimos ela é capaz de chegar a grandes torneios e vencer as melhores jogadoras do mundo porque não existe pressão de vencer, como a seguir entrar na qualificação de um 25.000$ e perder com uma jogadora sem ranking…no fundo porque ela entra em court sempre com a mesma postura, sem respeito pelo adversário quer ele seja número 1 ou número 1000 do ranking. Por vezes, quando se apercebe que não pode fazer sempre isto, treme um pouco. Sinto que ela passou do 8 para o 80 muito rapidamente e sem aquela transição que pode ser necessária numa altura em que as adversárias também começarem a reconhecer mais o seu nome. Obviamente se ela for um talento enorme pode chegar ao top 20 sem passar por este tipo de torneios mas tal como disse antes esta questão deve ser gerida com cuidado. Não nos podemos esquecer que ela tem recebido convites para os melhores torneios mas que ela vai ter de cumprir as promessas senão os convites deixam de surgir. No fundo isto tem a ver um pouco com a mentalidade dos portugueses em a partir de um sinal, fazer logo um grande alarido, depois podem gerar-se grandes decepções. Mas obviamente que desejo o melhor para os dois e espero que consigam grandes resultados.

LT: Vês mais algum novo talento capaz de singrar ao mais alto nível? Qual?

FP: Honestamente, como não treino em Portugal, é difícil para mim acompanhar as camadas jovens, por isso é complicado dar uma opinião sobre isso. Mesmo aqui no torneio não vi todas as jogadoras. Assisti ao encontro da Rita Vilaça e gostei, acho que tem potencial para fazer uma carreira bem interessante, desde que bem suportada e com uma postura humilde.

Secção Preferidos/Curiosidades

LT: Piso Preferido?

FP: Piso rápido, quer seja poroso, relva…

LT: Jogador preferido?

FP: Edberg mas não posso deixar de me render ao Federer, ele nasceu para jogar ténis.

LT: Jogadora preferida?

FP: Sem dúvida Steffi Graff.

LT: Jogador português preferido?

FP: Não posso deixar de escolher o Nuno Marques.

LT:Jogadora portuguesa preferida?

FP: Eu (entre risos).

LT: Estilo de jogo que menos gostas de enfrentar?

FP: Balões.

LT: Como é a Frederica fora de court?

FP: Não é muito diferente da Frederica dentro do court. Sou em geral uma pessoa tímida, embora hoje em dia já encare tudo com mais naturalidade. Gosto de ter uma vida recatada e pacata. Não sou de grandes “borgas”, prefiro jantar e ir tomar um café do que estar a sair até muito tarde e nem é porque tenho de me levantar cedo no dia seguinte.

LT: Como é o teu dia-a-dia quando não estás num torneio?

FP: Faço treino de ginásio e treino duas vezes por dia. Depois, tento relaxar o mais possível, porque necessito para estar em bom nível.

LT: Como é que a Frederica descreve o seu ténis?

FP: Não sei, penso que é algo muito natural e divertido (entre risos).

Presente e Futuro

“Hoje em dia vivo mais as emoções da minha carreira, (…) tenho outras perspectivas sobre o jogo em si”

LT: Recentemente voltaste às vitórias em torneios internacionais, 3 anos depois…qual foi a sensação?

FP: Obviamente foi muito boa. É sempre muito bom vencer um torneio, no fundo é cumprir o teu objectivo.

LT: Apesar de já termos discutido isso ao longo da entrevista, quais são os planos para o futuro? Chegaste a pensar em desistir da carreira…

FP: Como já foi referido ao longo da entrevista, não penso demasiado à frente. Planeio os torneios com 1/2 meses de antecedência e consoante os resultados que forem surgindo, vou fazendo novos objectivos…enquanto me der gozo jogar ténis e competir, vou fazê-lo.

LT: Temos aqui esta edição do Jornal do Ténis de 2003, contigo na capa a segurar os teus troféus conquistados até à altura…na altura vinhas de uma vitória no teu primeiro 25k, em Campos de Jordão…olhando para trás, quais são as grandes diferenças entre a Frederica que tenho aqui à minha frente e a Frederica desse momento, em termos de jogo, ambição, objectivos e personalidade?

FP: Muita coisa mudou. Hoje em dia vivo muito mais as emoções da minha carreira. Na altura, apenas pensava em jogar ténis, se ganhava, ganhava, se perdia, perdia. Hoje em dia atingi mais maturidade e isso vê-se no meu jogo, tenho outras perspectivas sobre o jogo em si, apesar de neste momento não ter tão bons resultados como na altura.

LT: E depois do ténis, o que vai acontecer na tua vida? Que podemos esperar da Frederica? Treinadora, comentadora ou vais fugir completamente à modalidade?

FP: De algum modo é provável que a minha vida fique sempre ligada ao ténis. Dar aulas a crianças pequenas é uma coisa que me daria muito gozo fazer porque gosto bastante de crianças. Estar envolvida na organização de eventos, torneios também poderia ser uma boa solução para mim.

LT: Muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte para o futuro.