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Balanço
“Gostava de voltar a
defrontá-lo (Federer) porque acredito cada vez mais em mim e nas
minhas qualidades”
Luso Ténis (LT): Actualmente estás perto
do teu melhor momento da carreira, encontras-te perto do top 100,
isso é uma coisa que está constantemente na tua cabeça quando entras
em campo ou normalmente não afecta o teu jogo?
Frederico Gil (FG): Neste momento
eu estou no melhor momento de carreira em termos de ranking e
especialmente para mim, em term os
de confiança e nível de jogo. Com certeza que tenho na cabeça esse
objectivo, é um orgulho pessoal entrar nos 100 melhores jogadores do
mundo mas também tenho a noção da realidade porque neste momento é
um objectivo bastante difícil de alcançar pois existem muitos pontos
a defender. Vão-me cair muitos pontos do ano passado, portanto vou
tentar manter-me o melhor possível nos torneios e fazer os melhores
resultados que conseguir para continuar a subir.
LT: Até agora qual consideras ter sido o
melhor momento da tua carreira? Algum torneio em especial agora que
te qualificaste para estes dois Grand Slams?
FG: Estes dois Grand Slams que
joguei o quadro principal foram momentos altos da minha carreira
devido ao facto de eu nunca os ter jogado. Neste momento fico
satisfeito por jogá-los mas quero continuar a fazer resultados e
continuar a conseguir passar rondas nesses torneios e principalmente
continuar a evoluir o ténis que apresento pois dá-me jogar esse tipo
de torneios dá-me imensa motivação.
LT: Curiosamente defrontaste o mesmo
jogador, o Jeremy Chardy e até te saíste melhor em relva quando és
mais associado a um jogador de terra batida.
FG: Não sei porquê, os outros
jogadores também não jogam em relva, quase não há torneios nessa
superfície, por isso todos temos que nos adaptar melhor possível à
situação.
LT: Então achas que estiveste mais
próximo de vencer o francês por já conheceres melhor o seu jogo?
FG: Não só porque já o conhecia
mas também porque enfrentei o jogo de outra maneira que não consegui
em Roland Garros. Lá joguei de uma forma muito mais defensiva a
pensar que ia ser um jogo mais lento por ser em terra batida mas tal
não aconteceu. Contra um tipo de adversário que arrisca muito, eu
também tenho que arriscar porque se jogo sempre na defensiva, mais
cedo ou mais tarde vou perder portanto também tenho que arriscar. Em
Wimbledon tomei alguns riscos e por acaso não consegui a vitória mas
estive bastante perto de o conseguir.
LT: Relativamente ao Open da Austrália,
este ano não o incluíste no teu calendário, já sabes que opção
tomarás para o ano?
FG: Não sei, vamos ver com que
ranking consigo acabar o ano mas jogar a qualificação do Open da
Austrália é complicado porque nós acabamos a temporada muito tarde
devido aos interclubes e ao Masters-CIMA o que não deixa grande
tempo para fazer uma pausa de descanso e férias e a pré-temporada,
portanto acabei por decidir não ir joga r a qualificação, apenas um
único torneio na Austrália. Optei por ficar, fazer a pré-temporada
como deve ser e começar a competir 3 ou 4 semanas mais tarde.
LT: Relativamente ao Estoril Open, nos
últimos anos tens obtido excelentes resultados. Este ano defrontaste
o Roger Federer, nº 1 mundial, como foi essa sensação?
FG: Foi óptima. Para mim o
Federer e o Nadal são jogadores de nível bastante superior a todos
os outros e é um prazer jogar com eles. Ficou-me um pouco
atravessado porque achei que podia ter feito mais, senti que podia
ter feito um melhor resultado.
LT: Aquela interrupção foi
prejudicial? (o jogo dos quartos de final da edição de 2008
do Estoril Open entre Roger Federer e Frederico Gil foi interrompido
pela chuva, tendo o suiço vencido uma grande série de jogos seguidos
após o regresso ao court)
FG: A interrupção predicou-me um
pouco mas se calhar a ele também o prejudicou…Se calhar ele soube
gerir essa pausa de uma melhor maneira do que eu mas gostava de
voltar a defrontá-lo porque acredito cada vez mais em mim e nas
minhas qualidades.
Ténis Português
“Muitas vezes
olhamos para o ténis de um modo ainda muito amador, muito pouco
profissional"
LT: Falando um pouco de ténis nacional,
tu e o João Cunha e Silva fazem uma dupla de sucesso há anos, o que
funciona bem na vossa combinação?
FG: Quanto à nossa relação, tenho um
enorme respeito pelo João, gosto imenso da maneira como ele analisa
as situações. É uma pessoa muito organizada, nunca vi uma pessoa tão
organizada e tão profissional naquilo que faz. Também tenho uma
relação com o André Ferreira, um dos treinadores que normalmente me
acompanha nas viagens, tenho uma relação muito boa com ele, é uma
pessoa muito chegada a mim e gosto imenso de viajar com eles. Temos
sido bem sucedidos mas temos de continuar a trabalhar e como em
todas as relações, há aspectos a limar, portanto vamos tentando
melhorar todos os dias as situações.
LT: No ano passado houve uma altura em
que cortaste a ligação com o teu treinador durante poucas semanas,
até venceste o teu maior título, o challenger de Sevilha, durante
esse período. O que se passou nessa altura, houve algum motivo em
especial para esse corte?
FG: Bem, nessa altura tive alguns
problemas a nível pessoal e acabei por tomar certas decisões um
pouco precipitadas tanto na
minha vida como na minha carreira, senti-me um
bocado com a “cabeça quente” sobre outros assuntos da minha vida
pessoal. Mais tarde acabei por me arrepender da decisão que tomei,
que foi um bocado precipitada e retomámos a ligação.
LT: Em termos nacionais, já venceste
praticamente tudo, apenas te falta o Masters-CIMA.
FG: É verdade, perdi sempre com o
Leonardo…
LT: O Leonardo parece sempre que se
agiganta naquele torneio.
FG: É verdade, naquele torneio o
Leonardo é o dominador, é o gigante, normalmente ele joga muito bem
nessa fase da temporada, em Dezembro, no final da época. Também a
superfície é mais rápida e ele gosta imenso dessa superfície. Se
jogar este ano vou tentar ganhar pela primeira vez.

LT: Como avalias o estado do ténis
nacional comparativamente com há 5 anos atrás?
FG: Aquilo que sinto é que está a
melhorar bastante, sinto que precisamos de alguém… (pausa)
LT: Sentes-te como uma referência para
esses novos jogadores?
FG: Neste momento, sinceramente começo a
sentir mas muito pouco. Acho que cada vez mais irá crescer se
tivermos jogadores que comecem a fazer resultados e que as pessoas
comecem a dar valor e a acreditar, a ver mais ténis e a motivarem-se
para nem que seja ver à Internet os resultados, virem à Taça Davis,
ver os jogos, divulgar mais na Internet…Acho que a modalidade está a
crescer e principalmente precisamos de referências, é aquilo que eu
sinto…olhamos ainda muito para os outros como que os outros fossem
capazes e nós nunca fossemos, acabamos por ter uma mentalidade
pequena… eu vou tentar, pessoalmente gostaria de mudar isso, acho
que posso e tenho capacidades para ser melhor jogador e para subir
mais, portanto vou tentar ajudar naquilo que puder o ténis nacional
para os jogadores acreditarem cada vez mais que é possível e que
façam disto uma profissão e uma vida. Muitas vezes olhamos para o
ténis de uma maneira ainda muito amadora, muito pouco profissional,
é tudo à base de jogar ao ténis e às raquetas e não jogar ténis
profissional, jogar ténis como uma vida, como uma profissão.
LT. Relativamente à Michelle e ao
Gastão, que são dois dos nomes mais falados hoje em dia, a Michelle
ainda esta semana chegou à 2ª ronda em Stanford (na semana da Taça
Davis), o que prevês para o futuro deles?
FG: Gosto muito dos dois. Já tive a
oportunidade de vê-los várias vezes a jogar ao vivo. Acho que ambos
vão conseguir chegar longe, não sei que rankings mas ambos vão
conseguir com certeza chegar lá para cima, para o topo. Gosto muito,
principalmente da Michelle, gosto muito do Gastão, teve agora uma
fase menos boa mas esta semana já está outra vez nos quartos de
final de um challenger. Eu penso que mais tarde ou mais cedo vão
acabar por subir e vão dar o salto e vão ser duas referências a
nível nacional.
Secção Preferidos/Curiosidades
LT: Agora uma secção mais lúdica,
jogadores preferidos, quais são os teus jogadores preferidos, quer a
nível nacional como a nível internacional? Já falaste do Federer e
do Nadal…
FG: A nível nacional não tenho assim
nenhuma referência, gosto muito da Michelle e do Gastão mas gosto
muito mais de mim (entre risos). A nível internacional, as minhas
referências, os meus dois ídolos são o Federer e o Nadal, acham que
são bastante superiores aos demais embora às vezes percam com a lguns
mas são muito superiores, a meu ver.
LT: E o Djokovic, não se intromete?
FG: Não, para mim é outro nível.
LT: E piso preferido? Tens algum?
FG: Eu tenho jogado mais em terra batida
mas o meu piso preferido sempre foi o piso rápido. Com este ranking
vou ter a possibilidade de voltar a jogar mais em pisos rápidos,
entrar em torneios maiores com piso rápido. Tenho a certeza que me
vai correr bem porque eu gosto imenso de jogar nessa superfície.
LT: Como descreves o teu jogo em court?
FG: Eu sempre fui uma pessoa que lida
muito bem com a competição, gosto muito de competir mas neste
momento aquilo que eu procuro também é ser de alguma forma mais
agressivo e arriscar mais, tomar mais a iniciativa, ser eu a
comandar. Se for para falhar, que seja eu a falhar e que tente ser
eu a procurar mais porque chegamos a um determinado nível
profissional onde os jogadores são de tal maneira agressivos, de tal
maneira conquistadores para ganhar, que aqueles que se retraem
acabam sempre mais tarde ou mais cedo por perder e nem sequer
chegaram a tentar arriscar e tentar ganhar. Aquilo que eu tenho
aprendido nestes últimos torneios e o que estou a procurar no meu
tipo de jogo é ser cada vez mais agressivo e tomar cada vez mais a
iniciativa do ponto, dentro dos possíveis, sem exagerar.
LT: Como é o Gil fora do court?
FG: (entre risos) Sou uma pessoa normal,
sou saloio de Colares e gosto imenso de praia, sol e Verão. Sou
simpático, dou-me bem com os amigos embora muitas vezes seja difícil
ter muitos amigos porque passo a vida fora e não estou cá tempo
nenhum. Quando estou em Portugal tento organizar a minha vida e ter
sempre uma noitezinha ou um jantarzinho com amigos para me abstrair
de todas aquelas viagens e torneios. Acho que sou uma pessoa
bastante completa…
Presente e Futuro
“A transição de
júnior para sénior é muito complicada porque somos habituados a um
tratamento de topo nos júniores”
LT: Quais são as diferenças entre o Gil
de agora e o Gil de há 5 anos em jogo e em maturidade?
FG: Muitas, há 5 anos atrás…(pausa)
LT: Foi mais ou menos quando começaste a
disputar o circuito sénior…
FG: Exactamente…Há muitas diferenças.
Principalmente no acreditar do potencial…eu sempre fui uma pessoa
muito trabalhadora…
LT: Chegaste ao top 10 de juniores,
seguramente já tinhas algumas perspectivas…
FG: Acredite que depois houve ali uma
fase em que é muito complicada a transição de
juniores para seniores
porque nós habituamo-nos a ter um tratamento de topo nos juniores…grandes
hotéis, grandes torneios, tudo pago, viagens para aqui, para ali, e
depois, de repente, somos apanhados num patamar de satélites e de
futures que é o oposto, não há viagens para ninguém, tens de ser tu
a tratar das coisas, não há hospitalidade, os torneios são
fraquíssimos, não está ninguém a ver… São tudo condições muito
difíceis de gerir e acabei por passar 2 ou 3 anos nessa fase de
transição na qual ganhei muita experiência mas que foi uma fase
muito complicada. Hoje em dia já me sinto uma pessoa muito mais
adulta, mais madura, com muito mais confiança no meu ténis, na minha
pessoa, e cada vez mais todos os dias tenho procurado nos treinos
ser ainda melhor uma vez sinto que tenho imenso potencial para subir
mais.
LT: Para finalizar, para o resto de 2008
e já para o início de 2009, planeias continuar nos torneios de
categoria challengers ou planeias tentar mais alguns torneios do
circuito principal ATP com o ranking que tens neste momento?
FG: Depois desta Taça Davis vou seguir
para Poznan, um challenger de 100.000$ na Polónia, seguidamente
terei uma semana de intervalo entre Poznan e Segóvia onde irei jogar
os interclubes na Alemanha. Depois vou seguir para Segóvia e para
Istambul, são dois challengers de 100.000$, todos já em piso rápido
para preparação do USOpen. Depois arranco para os Estados Unidos,
dependendo se tenho entrada ou não. A seguir aos Estados Unidos
ainda não tenho um calendário definido mas creio eu que no final do
ano irei fazer o circuito da América do Sul de challengers fortes,
de 75.000$. Em princípio este ano será este o calendário uma vez que
também vão sair muitos pontos, por isso não tenho ranking suficiente
para poder entrar em ATPs. Para além disso, nessa altura do ano os
ATPs que há são poucos e são para o Japão, para Tóquio, para o lado
de lá da Ásia. Acho que ainda não tenho ranking suficiente para ir
para esse tipo de torneios portanto vou-me manter ainda este ano nos
challengers e para o ano, se Deus quiser, poderei jogar no circuito
de uma forma mais regular e consistente.
LT: Muito obrigado pela disponibilidade
e boa sorte para o futuro.
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