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Ao longo desta semana tem decorrido
o Porto Open no Complexo de Ténis do Monte Aventino,
torneio misto que distribui 25.000$ em prémios
monetários pelos dois quadros de singulares (15.000$
para o masculino e 10.000$ para o feminino).
Nesta
passada quinta-feira terminaram os encontros da 2ª ronda
com três portugueses em acção: Maria João Koehler,
Leonardo Tavares e João Sousa.
Maria
João Koehler foi a primeira a entrar em acção no court
central. A jovem portuguesa defrontava a marroquina
Fatima El Allami, 6ª cabeça de série do evento e actual
654ª WTA. As duas já se tinham defrontando recentemente,
no ITF de Braga, tendo na altura Allami derrotado
Koehler. Na altura tive a oportunidade de assistir ao
início do encontro, fase na qual Maria João liderou, e
fiquei com a clara sensação de que a portuguesa tinha
jogo para bater a marroquina.
Quando
cheguei ao Complexo do Monte Aventino (bem agradável por
sinal, com um belo espaço físico e uma confortável zona
“lounge” onde se pode relaxar entre os encontros), a
jovem lusa já estava em court. Não podia chegar em pior
altura pois assisti à quebra do serviço de Koehler, que
se via em desvantagem por 1-3 no 1º parcial. Maria João
ainda recuperou o break para 2-3 mas a partir daí Allami
concretizou 3 jogos consecutivos, fechando o 1º parcial
por 6-2. Por essa altura a portuguesa mostrava-se
bastante insatisfeita com o seu jogo, acumulando um
elevado número de erros não forçados. O serviço também
não parecia estar em dia sim e o número de duplas faltas
foi elevado. Foi mesmo com uma dupla falta de Koehler
que Allami fechou o 1º parcial. A marroquina tenta
colocar alguma pressão no 2º serviço ao entrar em court
e a apresentar um constante movimento. Assim que a
jogadora inicia o lançamento de bola, Allami recua até
um pouco atrás da linha de fundo para responder ao
serviço. O jogo da marroquina não era particularmente
virtuoso. Trata-se de uma jogadora canhota, que procura
mais a consistência, saindo pouco deste registo. O seu
1º serviço consegue ser potente mas o 2º é bastante
atacável.
Aproveitei o intervalo entre os sets para dar uma volta
pelo complexo. Quando regressei ao court central, o
marcador indicava uma igualdade a um jogo para cada lado
no 2º set. Nesse momento, Maria João parecia um pouco
mais tranquila e de volta ao jogo. Conseguiu atingir a
paciência necessária para impôr o seu estilo de jogo e
para “desconstruír” o jogo da adversária, conseguindo
adiantar-se para 4-1. Contudo, quando tudo parecia bem
encaminhado, 4 erros não forçados da lusa (dois deles
por dupla falta, ofereceram à marroquina um dos breaks
de mão beijada) e um jogo fácil no serviço de Allami,
fez a diferença reduzir-se para 4-3. Daí até ao final do
set, as jogadoras mantiveram os seus serviços e a lusa
fechou o 2º parcial por 6-4, gritando palavras de
incentivo.
No
início do 3º set, o encontro volta a sofrer nova mudança
de sentido de jogo, com a marroquina a adiantar-se para
3-0. Nesta altura, Maria João pede a assistência do
fisioterapeuta. Após esse intervalo, a portuguesa voltou
a surgir mais concentrada, respondendo à adversária com
3 jogos seguidos. De seguida Allami garante o seu
serviço e quebra o de Maria João, numa altura em que o
encontro parecia fugir das mãos da lusa. Contudo, a
partir daí, Koehler soube gerir muito bem com a situação
e pressionou Allami, seguramente ansiosa por fechar o
encontro. A portuense venceu os últimos 4 jogos, tendo
assim conquistado o último parcial por 7-5.
Este
trata-se de mais um excelente resultado para Maria João.
Nota-se uma enorme vontade de vencer e muitas vezes os
períodos de inconsistência e desconcentração podem ter
isso mesmo como causa.
O jogo
seguinte no court central protagonizava o duelo de 2ª
ronda de Leonardo Tavares diante do austríaco M.
Raditschnigg, 7º favorito do torneio e actual 521º ATP.
Após uma breve pausa para almoço, cheguei ao court
central com 2-1 de vantagem no 1º set para Raditschnigg.
Contudo, tudo o que se passou a seguir foi bastante
rápido. O austríaco, jogador canhoto com estilo algo
displicente, mostrava-se completamente errático e foi
com enorme facilidade que Leonardo venceu 5 jogos
consecutivos para vencer o 1º set por 6-2. As condições
atmosféricas encontravam-se um pouco mais adversas do
que no jogo da Maria João e isso parecia afectar
bastante o jogo do austríaco. Contudo, apesar desta
liderança, Leonardo não se mostrava muito satisfeito com
o seu desempenho, especialmente com a sua movimentação.
A última vez que o tinha visto jogar foi na terrível
final do Campeonato Nacional deste ano onde Leonardo
esteve completamente ausente ao longo de todo o
encontro.
O início
do 2º set tornou-se bastante mais interessante, com
várias jogadas longas e disputadas. O austríaco aumentou
a sua consistência sem perder intensidade de jogo e até
ao 3-2 o encontro prosseguiu bastante equilibrado. No
sexto jogo do 2º parcial, com Leonardo Tavares a servir,
surgiu o primeiro break deste set. O português ainda
salvou a primeira oportunidade com um grande serviço mas
acabou por ceder o jogo com uma dupla falta. Por esta
altura, Tavares estava de cabeça perdida, atirando a
raquete ao chão inúmeras vezes (ou ameaçando tal) e
lançando uma série de impropérios perante a sua
exibição. Contudo, o pupilo de Nuno Marques conseguiu
responder de imediato e recuperar o break, para de
seguida fechar o seu jogo de serviço e igualar a
contenda a 4-4. O austríaco adianta-se para 5-4 no seu
serviço e pressiona o português, beneficiando de 2
set-points no serviço do luso. O primeiro destes foi
salvo após um enorme ponto onde Leonardo foi obrigado a
sucessivos ataques até finalmente concluir com uma
direita cruzada. O segundo ponto foi salvo novamente com
um bom serviço, contudo o austríaco voltou a beneficiar
de nova oportunidade e desta feita aproveitou, fechando
o parcial por 6-4.
Entretanto o vento levantava-se mais forte e o início do
3º set ficou marcado por ténis de péssima qualidade, com
muitos erros de parte a parte. Após uma troca de breaks
inicial, Leonardo arrancou para uma série de 4 jogos
consecutivos. Os níveis de energia do austríaco pareciam
estar a esfumar-se e o português soube pressionar o
adversário. Raditschnigg ainda reduziu para 2-5 mas
Tavares não perdoou e no seu serviço concluiu o
encontro.
Como os
dois primeiros encontros se prolongaram mais do que o
esperado e o primeiro encontro de pares agendado para o
court central não se realizou (por desistência de um
par), a organização optou por adiar o jogo de pares da
dupla Marques/Tavares e fez uma pausa de 20 minutos para
se iniciar o encontro de João Sousa, agendado para as
17h. Todos os portugueses defrontaram cabeças de série
na 2ª ronda (tanto no quadro feminino como no
masculino), contudo Sousa seria seguramente aquele que
tinha tarefa mais complicada. O seu adversário era só 1º
cabeça de série do torneio, Eric Prodon, 182º ATP, que
este ano esteve bem perto de atingir o top 100 mundial.
O português, que viveu um excelente período até ao
Estoril Open, não tem correspondido às expectativas
criadas com os seus resultados até essa fase do ano. A
pressão começou a desempenhar um papel importante nas
suas exibições, contudo o último torneio parecia indicar
algumas melhorias com Sousa a atingir os quartos de
final de um future espanhol.
Neste
encontro, J. Sousa (a exibir novo visual, com cabelo bem
curto) começou a servir e adiantou-se no marcador. O
francês começou o seu jogo de serviço com duas
duplas-faltas e nessa altura mandou o público calar-se.
Este mau início foi rapidamente recuperado por Prodon,
que amealhou 3 jogos seguidos. A partir daí os jogadores
mantiveram os seus serviços até ao 5-3, altura em que o
francês voltou a quebrar Sousa para fechar o parcial por
6-3 (Sousa cedeu o set com uma dupla falta). Como
conclusão, ambos os jogadores apresentaram bons serviços
(na verdade, foi esse o golpe que foi aguentando João
Sousa no set), contudo o francês apresentou uma maior
aceleração de bola e uma maior capacidade em arrancar
winners de qualquer ponto do court. A esquerda a uma mão
paralela foi uma pancada particularmente eficaz, tendo
desequilibrado o português várias vezes. O estilo de
João Sousa assenta num serviço forte e colocado que
normalmente provoca um erro de resposta ou uma bola
fácil que o português pode rapidamente concluir com um
winner de direita.
João
Sousa também se mostrou bastante desagradado com o seu
desempenho, gritando por várias vezes “É impossível
jogar hoje!”, alegando as difíceis condições
atmosféricas em que o encontro foi disputado, com o
vento a afectar a trajectória de algumas bolas. Por esta
altura, o frio era cortante e todos os espectadores
“sofriam” um pouco para assistir ao encontro do
português.
No 2º
set, Prodon adiantou-se para 2-0. Sousa ainda segurou o
seu serviço antes de perder mais 3 jogos consecutivos.
Quando o marcador assinalava o 1-5, o português quebrou
pela primeira vez o serviço ao francês e segurou de
seguida o seu serviço, reduzindo a desvantagem para 3-5.
Essa recuperação já não foi suficiente e o francês
concluiu o encontro por duplo 6-3.
Como
resumo do encontro, João Sousa não teve argumentos para
o francês. Mais uma vez deixou bons apontamentos mas
existem alguns aspectos que necessitam melhorias,
nomeadamente ao nível da sua pujança física, da
movimentação em direcção à rede (Prodon venceu vários
pontos por amorties que Sousa foi incapaz de atingir) e
da concentração. O português desperdiçou demasiada
energia em discutir com o árbitro (muitas vezes
correctamente, diga-se), contudo são momentos
dispensáveis em alta competição.
Gostava
de ter ficado para assistir ao encontro de pares de Nuno
Marques. Seria um prazer voltar a ver em acção
ténis-espectáculo mas o frio afugentou toda a gente do
Monte Aventino.
Como
resumo, o dia não correu mal com Maria João e Leonardo a
qualificarem-se para os quartos de final, onde já se
encontravam Joana Pangaio e Ana Catarina Nogueira.
Finalmente, e um pouco à parte do que costumo fazer
neste tipo de reportagens, deixo três aspectos negativos
para reflectir:
1)
Comportamento em
court dos jogadores portugueses –
devo dizer que houve momentos na
jornada de quinta-feira em que me senti um pouco
embaraçado pelo que assistia. Sou a favor de os
jogadores se manifestarem quando sentem essa necessidade
mas houve momentos nos encontros de Tavares e Sousa em
que ambos levaram os seus protestos ao extremo. É um
desperdício de energia e de concentração.
2) “Esquecimentos”
pouco compreensíveis… –
uma dos aspectos que não deixei de reparar neste Porto
Open é o facto de a organização destes torneios em solo
nacional ignorar por completo os sites dedicados em
exclusivo a esta modalidade. Num painel onde se exibiam
uma série de notícias de jornais desportivos e sites de
desporto, onde muitas vezes apenas constava um
desinteressante parágrafo copiado (e às vezes mal
copiado) da press-release do torneio, não observei uma
única impressão de uma notícia do nosso site, bolamarela,
etc. Para mim é inconcebível como isto pode acontecer
(falta de informação não deve ser uma vez que o Luso
Ténis é muitas vezes o único órgão de comunicação
presente neste tipo de torneios).
3) Mudanças
de ordem de jogos – Bem
sei que estes torneios não costumam ter muita
assistência mas a verdade é que algumas pessoas ainda
vão tentando seguir o desenrolar. Na quinta-feira,
apenas soube do cancelamento de um jogo de pares e do
adiamento do encontro do Nuno Marques (ambos marcados no
court central, a seguir ao encontro do Leonardo Tavares)
porque a organização comunicou ao Nuno Marques, que se
encontrava perto de mim na bancada. Caso eu não tivesse
ouvido isso, não haveria qualquer informação sobre o
assunto. Avisar no final do encontro do Leonardo não
teria magoado ninguém…
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