Luso Ténis
 

 

  Porto Open '08
Complexo de Ténis Monte Aventino (Porto), Portugal (Terra Batida)
29 de Setembro a 5 de Outubro de 2008
15.000$ Masculinos e 10.000$ Femininos

 

 

 

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Texto: Vítor Espírito Santo
Reportagem fotográfica: Vítor Espírito Santo
 
Quinta-feira, 02 de Outubro de 2008
 

Ao longo desta semana tem decorrido o Porto Open no Complexo de Ténis do Monte Aventino, torneio misto que distribui 25.000$ em prémios monetários pelos dois quadros de singulares (15.000$ para o masculino e 10.000$ para o feminino).

Nesta passada quinta-feira terminaram os encontros da 2ª ronda com três portugueses em acção: Maria João Koehler, Leonardo Tavares e João Sousa.

Maria João Koehler foi a primeira a entrar em acção no court central. A jovem portuguesa defrontava a marroquina Fatima El Allami, 6ª cabeça de série do evento e actual 654ª WTA. As duas já se tinham defrontando recentemente, no ITF de Braga, tendo na altura Allami derrotado Koehler. Na altura tive a oportunidade de assistir ao início do encontro, fase na qual Maria João liderou, e fiquei com a clara sensação de que a portuguesa tinha jogo para bater a marroquina.

Quando cheguei ao Complexo do Monte Aventino (bem agradável por sinal, com um belo espaço físico e uma confortável zona “lounge” onde se pode relaxar entre os encontros), a jovem lusa já estava em court. Não podia chegar em pior altura pois assisti à quebra do serviço de Koehler, que se via em desvantagem por 1-3 no 1º parcial. Maria João ainda recuperou o break para 2-3 mas a partir daí Allami concretizou 3 jogos consecutivos, fechando o 1º parcial por 6-2. Por essa altura a portuguesa mostrava-se bastante insatisfeita com o seu jogo, acumulando um elevado número de erros não forçados. O serviço também não parecia estar em dia sim e o número de duplas faltas foi elevado. Foi mesmo com uma dupla falta de Koehler que Allami fechou o 1º parcial. A marroquina tenta colocar alguma pressão no 2º serviço ao entrar em court e a apresentar um constante movimento. Assim que a jogadora inicia o lançamento de bola, Allami recua até um pouco atrás da linha de fundo para responder ao serviço. O jogo da marroquina não era particularmente virtuoso. Trata-se de uma jogadora canhota, que procura mais a consistência, saindo pouco deste registo. O seu 1º serviço consegue ser potente mas o 2º é bastante atacável.

Aproveitei o intervalo entre os sets para dar uma volta pelo complexo. Quando regressei ao court central, o marcador indicava uma igualdade a um jogo para cada lado no 2º set. Nesse momento, Maria João parecia um pouco mais tranquila e de volta ao jogo. Conseguiu atingir a paciência necessária para impôr o seu estilo de jogo e para “desconstruír” o jogo da adversária, conseguindo adiantar-se para 4-1. Contudo, quando tudo parecia bem encaminhado, 4 erros não forçados da lusa (dois deles por dupla falta, ofereceram à marroquina um dos breaks de mão beijada) e um jogo fácil no serviço de Allami, fez a diferença reduzir-se para 4-3. Daí até ao final do set, as jogadoras mantiveram os seus serviços e a lusa fechou o 2º parcial por 6-4, gritando palavras de incentivo.

No início do 3º set, o encontro volta a sofrer nova mudança de sentido de jogo, com a marroquina a adiantar-se para 3-0. Nesta altura, Maria João pede a assistência do fisioterapeuta. Após esse intervalo, a portuguesa voltou a surgir mais concentrada, respondendo à adversária com 3 jogos seguidos. De seguida Allami garante o seu serviço e quebra o de Maria João, numa altura em que o encontro parecia fugir das mãos da lusa. Contudo, a partir daí, Koehler soube gerir muito bem com a situação e pressionou Allami, seguramente ansiosa por fechar o encontro. A portuense venceu os últimos 4 jogos, tendo assim conquistado o último parcial por 7-5.

Este trata-se de mais um excelente resultado para Maria João. Nota-se uma enorme vontade de vencer e muitas vezes os períodos de inconsistência e desconcentração podem ter isso mesmo como causa.

O jogo seguinte no court central protagonizava o duelo de 2ª ronda de Leonardo Tavares diante do austríaco M. Raditschnigg, 7º favorito do torneio e actual 521º ATP. Após uma breve pausa para almoço, cheguei ao court central com 2-1 de vantagem no 1º set para Raditschnigg. Contudo, tudo o que se passou a seguir foi bastante rápido. O austríaco, jogador canhoto com estilo algo displicente, mostrava-se completamente errático e foi com enorme facilidade que Leonardo venceu 5 jogos consecutivos para vencer o 1º set por 6-2. As condições atmosféricas encontravam-se um pouco mais adversas do que no jogo da Maria João e isso parecia afectar bastante o jogo do austríaco. Contudo, apesar desta liderança, Leonardo não se mostrava muito satisfeito com o seu desempenho, especialmente com a sua movimentação. A última vez que o tinha visto jogar foi na terrível final do Campeonato Nacional deste ano onde Leonardo esteve completamente ausente ao longo de todo o encontro.

O início do 2º set tornou-se bastante mais interessante, com várias jogadas longas e disputadas. O austríaco aumentou a sua consistência sem perder intensidade de jogo e até ao 3-2 o encontro prosseguiu bastante equilibrado. No sexto jogo do 2º parcial, com Leonardo Tavares a servir, surgiu o primeiro break deste set. O português ainda salvou a primeira oportunidade com um grande serviço mas acabou por ceder o jogo com uma dupla falta. Por esta altura, Tavares estava de cabeça perdida, atirando a raquete ao chão inúmeras vezes (ou ameaçando tal) e lançando uma série de impropérios perante a sua exibição. Contudo, o pupilo de Nuno Marques conseguiu responder de imediato e recuperar o break, para de seguida fechar o seu jogo de serviço e igualar a contenda a 4-4. O austríaco adianta-se para 5-4 no seu serviço e pressiona o português, beneficiando de 2 set-points no serviço do luso. O primeiro destes foi salvo após um enorme ponto onde Leonardo foi obrigado a sucessivos ataques até finalmente concluir com uma direita cruzada. O segundo ponto foi salvo novamente com um bom serviço, contudo o austríaco voltou a beneficiar de nova oportunidade e desta feita aproveitou, fechando o parcial por 6-4.

Entretanto o vento levantava-se mais forte e o início do 3º set ficou marcado por ténis de péssima qualidade, com muitos erros de parte a parte. Após uma troca de breaks inicial, Leonardo arrancou para uma série de 4 jogos consecutivos. Os níveis de energia do austríaco pareciam estar a esfumar-se e o português soube pressionar o adversário. Raditschnigg ainda reduziu para 2-5 mas Tavares não perdoou e no seu serviço concluiu o encontro.

Como os dois primeiros encontros se prolongaram mais do que o esperado e o primeiro encontro de pares agendado para o court central não se realizou (por desistência de um par), a organização optou por adiar o jogo de pares da dupla Marques/Tavares e fez uma pausa de 20 minutos para se iniciar o encontro de João Sousa, agendado para as 17h. Todos os portugueses defrontaram cabeças de série na 2ª ronda (tanto no quadro feminino como no masculino), contudo Sousa seria seguramente aquele que tinha tarefa mais complicada. O seu adversário era só 1º cabeça de série do torneio, Eric Prodon, 182º ATP, que este ano esteve bem perto de atingir o top 100 mundial. O português, que viveu um excelente período até ao Estoril Open, não tem correspondido às expectativas criadas com os seus resultados até essa fase do ano. A pressão começou a desempenhar um papel importante nas suas exibições, contudo o último torneio parecia indicar algumas melhorias com Sousa a atingir os quartos de final de um future espanhol.

Neste encontro, J. Sousa (a exibir novo visual, com cabelo bem curto) começou a servir e adiantou-se no marcador. O francês começou o seu jogo de serviço com duas duplas-faltas e nessa altura mandou o público calar-se. Este mau início foi rapidamente recuperado por Prodon, que amealhou 3 jogos seguidos. A partir daí os jogadores mantiveram os seus serviços até ao 5-3, altura em que o francês voltou a quebrar Sousa para fechar o parcial por 6-3 (Sousa cedeu o set com uma dupla falta). Como conclusão, ambos os jogadores apresentaram bons serviços (na verdade, foi esse o golpe que foi aguentando João Sousa no set), contudo o francês apresentou uma maior aceleração de bola e uma maior capacidade em arrancar winners de qualquer ponto do court. A esquerda a uma mão paralela foi uma pancada particularmente eficaz, tendo desequilibrado o português várias vezes. O estilo de João Sousa assenta num serviço forte e colocado que normalmente provoca um erro de resposta ou uma bola fácil que o português pode rapidamente concluir com um winner de direita.

João Sousa também se mostrou bastante desagradado com o seu desempenho, gritando por várias vezes “É impossível jogar hoje!”, alegando as difíceis condições atmosféricas em que o encontro foi disputado, com o vento a afectar a trajectória de algumas bolas. Por esta altura, o frio era cortante e todos os espectadores “sofriam” um pouco para assistir ao encontro do português.

No 2º set, Prodon adiantou-se para 2-0. Sousa ainda segurou o seu serviço antes de perder mais 3 jogos consecutivos. Quando o marcador assinalava o 1-5, o português quebrou pela primeira vez o serviço ao francês e segurou de seguida o seu serviço, reduzindo a desvantagem para 3-5. Essa recuperação já não foi suficiente e o francês concluiu o encontro por duplo 6-3.

Como resumo do encontro, João Sousa não teve argumentos para o francês. Mais uma vez deixou bons apontamentos mas existem alguns aspectos que necessitam melhorias, nomeadamente ao nível da sua pujança física, da movimentação em direcção à rede (Prodon venceu vários pontos por amorties que Sousa foi incapaz de atingir) e da concentração. O português desperdiçou demasiada energia em discutir com o árbitro (muitas vezes correctamente, diga-se), contudo são momentos dispensáveis em alta competição.

Gostava de ter ficado para assistir ao encontro de pares de Nuno Marques. Seria um prazer voltar a ver em acção ténis-espectáculo mas o frio afugentou toda a gente do Monte Aventino.

Como resumo, o dia não correu mal com Maria João e Leonardo a qualificarem-se para os quartos de final, onde já se encontravam Joana Pangaio e Ana Catarina Nogueira.

Finalmente, e um pouco à parte do que costumo fazer neste tipo de reportagens, deixo três aspectos negativos para reflectir:

1)  Comportamento em court dos jogadores portugueses – devo dizer que houve momentos na jornada de quinta-feira em que me senti um pouco embaraçado pelo que assistia. Sou a favor de os jogadores se manifestarem quando sentem essa necessidade mas houve momentos nos encontros de Tavares e Sousa em que ambos levaram os seus protestos ao extremo. É um desperdício de energia e de concentração.

2)  “Esquecimentos” pouco compreensíveis… – uma dos aspectos que não deixei de reparar neste Porto Open é o facto de a organização destes torneios em solo nacional ignorar por completo os sites dedicados em exclusivo a esta modalidade. Num painel onde se exibiam uma série de notícias de jornais desportivos e sites de desporto, onde muitas vezes apenas constava um desinteressante parágrafo copiado (e às vezes mal copiado) da press-release do torneio, não observei uma única impressão de uma notícia do nosso site, bolamarela, etc. Para mim é inconcebível como isto pode acontecer (falta de informação não deve ser uma vez que o Luso Ténis é muitas vezes o único órgão de comunicação presente neste tipo de torneios).

3)  Mudanças de ordem de jogos – Bem sei que estes torneios não costumam ter muita assistência mas a verdade é que algumas pessoas ainda vão tentando seguir o desenrolar. Na quinta-feira, apenas soube do cancelamento de um jogo de pares e do adiamento do encontro do Nuno Marques (ambos marcados no court central, a seguir ao encontro do Leonardo Tavares) porque a organização comunicou ao Nuno Marques, que se encontrava perto de mim na bancada. Caso eu não tivesse ouvido isso, não haveria qualquer informação sobre o assunto. Avisar no final do encontro do Leonardo não teria magoado ninguém…