Luso Ténis
 
  Circuito Júnior

 

RESULTADOS  
   
  Vila do Conde Tennis Cup 2008
  Parque de Jogos de Vila do Conde (Vila do Conde), Portugal (Hardcourt)
 

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Reportagens
Texto: Vítor Espírito Santo
 
Sábado, 23 de Agosto de 2008
 

Após uma semana com vários portugueses em acção um pouco por todos os courts do torneio, tanto na vertente de singulares como em pares, os jogos importantes começavam a concentrar-se quase todos no court principal.

Neste sábado, o primeiro motivo de atracção era o encontro entre Carlos Boluda e o seu companheiro de treino, Javier Marti, jogador de 16 anos que tem apostado mais no circuito sénior durante este ano. Já nos encontros anteriores tinha dado a sensação de que poderia ser um excelente teste ao favorito do torneio, Boluda. E tal sucedeu. Marti venceu o 1º parcial por claros 6-2. Boluda respondeu e venceu o seguinte por 6-1. Quando o marcador indicava 4-3 para Boluda no 3º set cheguei ao Parque de Jogos. Marti encontrava-se a ser assistido embora não saiba precisar exactamente a quê. Boluda ia servir de seguida, por isso detinha um break de vantagem. Quando a partida foi retomada, Marti adquiriu imediatamente vantagem para recuperar o break, tendo concretizado essa oportunidade com uma série de pontos em que se mostrou mais ofensivo do que Boluda, fazendo grandes variações de jogo, ora batendo esquerda em top-spin (a uma mão), ora slice ou até mesmo alguns amorties, feito raro ao longo desta semana. Contudo, quando serviu de seguida, não soube gerir bem o seu leque de opções e acusando também algum desgaste físico, precipitou-se em algumas jogadas, entregando o break a Boluda. Desta vez, o “pequeno Nadal” não se intimidou e fechou mesmo o encontro, gritando um “Vamos!” no final da partida. Como viria a dizer mais tarde, este foi o desafio mais difícil que Boluda teve de enfrentar ao longo desta semana.

A outra meia-final seria disputada imediatamente a seguir. Martim Trueva defrontava o gigante britânico Alistair Barnes, que entretanto na noite anterior tinha fechado o encontro diante de Francisco Dias por 6-0 6-3. Pelo que tínhamos visto no dia anterior, este não seria um encontro fácil para o português. Os dois já tinham inclusivamente se defrontado no passado, tendo na altura a vitória sorrido a Trueva em 3 sets.

O jogo não começou muito bem para o português que sofreu o break e viu-se com uma desvantagem de 2-0 após bons serviços do inglês. A partir daí, Trueva estabilizou o seu jogo e consegue ir ganhando algum ascendente relativamente a Barnes, aproveitando uma série de pontos mal perdidos pelo britânico ao enviar para a rede uma série de bolas curtas, relativamente fáceis de concluir. Martim fazia mesmo a vida negra a Barnes, deslocando-se muito bem na linha de fundo e defendendo-se de modo lutador com slices ora de esquerda ora de direita, quando obrigado a enormes deslocações na linha de fundo. Um desses pontos ficou particularmente na memória quando Trueva teve que percorrer um lado ao outro do court três ou quatro vezes, com Barnes a subir progressivamente à rede e com Martim a disferir um passing shot cruzado em esforço para grande gáudio do público. Este ponto valeu-lhe o 5-2 no 1º set, tendo fechado o 1º parcial no jogo seguinte.  

No 2º set, Martim Trueva mantém a toada e vence o seu sétimo jogo consecutivo até que finalmente é quebrado ao enviar uma bola muito longa. A quebra de serviço fez bem ao inglês, que consegui respirar e começou a pressionar mais a esquerda do português. Barnes era canhoto e aplicava uma direita muito spinada para a esquerda do português. Trueva parecia ter muito mais dificuldades em lidar com este tipo de bola, acabando por permitir a entrada em court do britânico para terminar o ponto. No longo jogo que deu o 2-2 a Trueva, a discussão fez-se em várias vantagens, com Barnes a desperdiçar uma série de break-points. Por esta altura, começava a sentir-se uma inversão do sentido de jogo, com Barnes a ganhar confiança e Martim a ficar algo preso e demasiado progressivo, porventura esperando os erros do adversário que lhe deram a vitória no 1º set. Contudo, a partir daqui Barnes não parou de ditar o jogo e quebrou Martim, fazendo de seguida facilmente os seus jogos de serviço. Adiantou-se para 5-2, Martim reduz para 3-5 e Barnes fecha o set por 6-3.

No terceiro e decisivo parcial, o jogo volta a equilibrar-se com ambos a manterem os seus jogos de serviço durante os 4 primeiros jogos. No 5º jogo, Barnes quebra o serviço a Martim, apostando na mesma táctica que o levou à vitória no 2º set. Sempre a forçar a esquerda do português, Alistair faz novo break e adianta-se para 5-2, com serviço para fechar o encontro. Martim luta e consegue a quebra de serviço mas no jogo seguinte é novamente quebrado, ao primeiro match-point, após uma fabulosa resposta do britânico ao serviço do português.

Terminou aqui o percurso do português que não consegue assim defender a sua presença na final da edição de 2007. O português tem talento nato e isso é claro no seu jogo pela facilidade com que executa todo um leque de pancadas. Obviamente há uma série de aspectos no seu jogo que necessitam de ser melhorados de modo a podermos contar com o português a um excelente nível internacional.

 

No final do encontro, Martim prestou umas breves declarações ao Luso Ténis:

   

O encontro seguinte no court Vila do Conde contava com a meia-final feminina disputada entre a cabeça de série nº 2 do torneio, Polina Rodionova, e Maria João Koehler. As duas defrontaram-se na semana anterior na final da Taça Diogo Nápoles no Porto, tendo a vitória sorrido à russa. Desta feita, a portuguesa mostrava-se motivada para fazer um resultado diferente contudo não deveria ser muito fácil dada a estabilidade da russa. As bancadas estavam repletas de apoiantes de Maria João, que aplaudiam ruidosamente cada ponto que conquistasse. A russa não estava muito satisfeita com o público. Na verdade Rodionova é uma jogadora com rituais anteriores ao serviço muito particulares, notando-se claramente que se trata de uma atleta muito metódica e que procura claramente jogar sempre em elevados níveis de concentração. Os três primeiros jogos decorreram com relativa normalidade, com ambas a defenderem os seus jogos de serviço numa fase de adaptação. As trocas de bolas ainda eram muito curtas e os erros acumulavam-se de parte a parte. No quarto jogo, a russa quebra o serviço a Maria João, cerrando o punho e gritando um alto “Come on” claramente em tom de resposta ao apoio do público à portuguesa. A partir daí, o encontro aumentou de intensidade, continuando ainda assim muito incaracterístico. A portuguesa respondeu de imediato à russa, quebrando-lhe o serviço e fechando o seu, igualando o marcador a 3-3. Por esta altura a russa estava já furiosa, lançando olhares fulminantes aos apanha-bolas, juízes de linha, árbitro e público. A portuguesa parecia mesmo lançada pois quebrou novamente o serviço a Rodionova, adiantando-se para 4-3. Maria João forçava a parada, pressionando a russa com as suas bolas mais pesadas e mais tensas. Contudo, após três jogos consecutivos, Maria João tremeu, fazendo lembrar um pouco o drama que se viveu na maratona do dia anterior. Com uma dupla-falta, a portuguesa viu o marcador ser novamente igualado a 4-4. Dos jogos que vi, o serviço de Koehler não esteve particularmente bem ao longo do torneio, entrando muito pouco o 1º serviço e cometendo muitas duplas-faltas, algumas delas em momentos cruciais. Nos dois jogos seguintes volta a haver nova troca de breaks, sendo que depois a russa consegue manter o seu jogo de serviço para 6-5. A servir para se manter no set, Maria João joga bem e leva a discussão a tie-break

No tie-break, Koehler começa bem com uma vantagem de 2-0. A russa consegue vencer os dois pontos seguintes até que a portuguesa, muito galvanizada nesta altura, toma o comando da partida, ditando completamente o ritmo de jogo. Avança para o 6-2, adquirindo 4 set-points. Ao segundo, Maria João conquista o parcial.

No 2º parcial, tudo parecia exactamente a igual. A russa não pareceu muito afectada pela derrota no 1º set e o equilíbrio manteve-se. Os cinco primeiros jogos resultaram em quebras de serviço e a primeira a manter o seu saque foi mesmo Rodionova. Adiantou-se para 4-2, Koehler respondeu na mesma moeda, mas quando servia para se manter no set a 3-5, não conseguiu evitar a pressão e cedeu por 3-6. Os problemas no serviço permaneciam com a portuguesa a parecer muito afectada pelas súbitas rajadas de vento que por vezes surgiam no court.

Nesta fase do encontro já anoitecia, a temperatura tinha baixado muito e praticamente todo o público tinha fugido às condições gélidas que se faziam sentir. Por esta altura, Rodionova já não estava tão nervosa e parecia bem mais segura de si, mantendo os seus rituais entre cada ponto. A russa não é uma jogadora exuberante e é raro construir uma jogada que solte uma exclamação do público. No entanto, não sofre grandes oscilações de intensidade nem de nível de jogo e sabe aproveitar bem os deslizes da adversária. Quando saí do Parque, o 3º set ainda ia no início mas já Maria João tinha sido quebrada e antevia um parcial difícil para a portuguesa.

Entretanto, mais tarde, soube que Maria João tinha perdido o último parcial por 6-1, deixando a Vila do Conde Tennis Cup sem representantes lusos nas finais de singulares.

Não me desloquei ao Parque nos dias das finais contudo deixo aqui os resultados. Boluda venceu com naturalidade Alistair Barnes por duplo 6-2 e Milana Spremo venceu em 3 sets a russa Rodionova. Os dois primeiros cabeças de série do torneio venceram-no, por isso não houve qualquer factor surpresa. Nas finais de pares, vitória lusa na dupla masculina composta por Martim Trueva e Manuel Marcelo.A dupla Cátia Rodrigues e Ana Claro perdeu na final.

Esta foi uma bela semana de ténis, tendo permitido assistir a alguns belos encontros de ténis e à descoberta de alguns talentos. Confirma-se que Boluda será certamente um nome de peso num futuro relativamente próximo, a menos que algo de muito grave lhe aconteça no seu percurso. Dos portugueses, destaque para Martim Trueva. Não possuo grande termo de comparação mas pareceu-me o jogador mais completo e acima de tudo mais estável emocionalmente. Maria João Koehler voltou a mostrar que é uma jogadora com um poderio impressionante mas ainda necessita de limar muitas arestas no que toca às gestão de encontros e vantagens e na manutenção de elevados níveis de concentração. Todos os “Xicos” deixaram boas indicações: Dias, Ramos e Charters têm boa margem de progressão.

 
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
 

O dia de ténis prometia em Vila do Conde com actuações de vários portugueses, em destaque Maria João Koehler, Martim Trueva, Francisco Dias e Francisco Ramos.

Se até aqui ainda não tinha sido possível assistir a nenhum encontro de Maria João Koehler neste torneio, esta sexta-feira foi possível retirar a barriga de misérias uma vez que a portuguesa foi protagonista do encontro do dia no seu embate diante da britânica Hannah James. Esta era uma das jogadoras mais fortes do quadro, 3ª cabeça de série do evento e actual 133ª mundial júnior.

Quando chegámos ao parque, Maria João liderava por 5-4 no 1º set. A britânica empatou o marcador quase imediatamente e a frustração da portuguesa era evidente. Cedo nos apercebemos que a portuense tinha desperdiçado uma vantagem de 5-1 no 1º parcial, tendo permitido a recuperação da adversária pela sua perda de concentração. A discussão acabou por ser levada a tie-break, onde Maria João se adiantou para 4-2. Contudo, a partir daí, James venceu 5 pontos seguidos, vencendo o 1º parcial após uma dupla-falta da portuguesa. Por esta altura, o vento fazia-se sentir bem forte, dificultando a acção das tenistas. Maria João parecia claramente afectada pelo modo como perdeu o 1º parcial e rapidamente se viu colocada com uma desvantagem de 0-3 no 2º set com o défice de dois breaks. Por esta altura, Maria João via-se com problemas no serviço. A sua percentagem de colocação do 1º serviço era muito baixa, o número de duplas faltas aumentava rapidamente e a tensão aumentava com alguns protestos com o juiz de cadeira após desacordo quanto à avaliação de algumas situações de jogo, nomeadamente a interrupção de pontos por circulação de bolas oriundas de outros courts. Para quem não conhece o local onde se disputa este torneio, os courts Vila do Conde e BPI não apresentam qualquer separação física sendo que por várias vezes os encontros têm de ser interrompidos porque algumas bolas invadem os campos vizinhos, prejudicando o desenvolvimento do encontro. Esta situação, para além de quebrar claramente o ritmo do encontro, pode apresentar alguma influência no marcador caso este problema decorra durante um ponto essencial. A separação física destes campos por placards publicitários ou até mesmo por uma rede poderia ser uma boa solução para evitar este problema.  Quando Maria João soltou um pouco da tensão acumulada com protestos diante do árbitro (alguns deles bem correctos, diga-se), a portuguesa soltou-se, vencendo 4 jogos consecutivos e aumentando completamente a intensidade do seu jogo. O 1º serviço regressou, assim como a concentração. A britânica conseguiu estancar a série de jogos para a portuguesa mas não evitou a quebra de serviço, quando servia para se manter no set a 4-5, perante um público cada vez mais animado.

Hannah James foi ao longo de todo o encontro uma jogadora bastante dura, sendo capaz de responder à altura aos ataques de Maria João, que assistiu à devolução constante das suas bolas “pesadas”. Na verdade, as longas trocas de bola foram uma constante neste encontro, facto este que contribui claramente para a duração final do jogo, mais própria de um jogo em terra batida do que em hardcourt

O 3º set foi claramente inferior em nível de jogo, com muita “tremideira” e variações de liderança. Maria João entrou mal, sofrendo uma quebra imediata de serviço. Venceu três jogos de seguida e depois perdeu outros três. A partir daí, foram quebras sucessivas de serviço, com a britânica a servir para fechar o encontro a 5-4 e 6-5, falhando das duas vezes. O jogo encaminhou-se para a decisão justa mas dolorosa em tie-break, no qual a portuguesa nem entrou nada bem, perdendo os três primeiros pontos. Contudo, conquistou os seis seguintes, amealhando 3 match-points. Ao terceiro Maria conquistou o encontro após uma bola enviada para a rede pela britânica. O público, em muito querido a Maria João, que tem uma relação próxima com a cidade, festejou e assim se garantiu uma presença lusa feminina nas meias-finais.

No vídeo seguinte está disponível a declaração de Maria João após o apuramento para as meias-finais

Maria João mostrou raça e vontade e a vitória foi obviamente saborosa mas as desconcentrações que sofreu ao longo do encontro, com enormes variações de intensidade e consistência, deverão ser alvo de avaliação e trabalho. Nas meias-finais tem oportunidade de vingar a derrota sofrida na semana passada diante de Polina Rodionova. Veremos se as 3h30m em que esteve em court não serão um factor importante neste difícil encontro. 

Esta maratona atrasou bastante a ordem de jogos e isso obrigou a uma re-distribuição dos jogos. Martim Trueva jogaria a seguir no court principal, tal como previsto, mas o jogo de Francisco Dias diante do britânico Alistair Barnes seria transferido para o court GP, adiantando-se o embate entre o espanhol Carlos Boluda e o português Francisco Ramos.

Para contrariar um pouco a tendência do primeiro encontro do dia, Martim Trueva foi evoluindo no marcador com grande velocidade, controlando perfeitamente o rumo dos acontecimentos diante do espanhol Jose Fantova. Martim Trueva apresenta um ténis muito agradável, em que tudo flui com muita naturalidade. Mostra toque de bola e apresenta um excelente sentido táctico. Para além disso, mostra-se sempre muito calmo e tranquilo em court, faltando avaliar se esta postura é mantida em situações de maior aperto. Esta sexta-feira, em tudo foi superior ao seu adversário, vencendo com naturalidade por duplo 6-3.

Muito se especulou sobre o futuro do português, visto como um dos maiores talentos portugueses da sua geração, mas o facto de viver na Madeira, onde não possui parceiros de treino à altura, não tem ajudado a sua evolução. Em declarações ao Luso Ténis, Trueva falou um pouco dos seus planos para o futuro, nomeadamente a intenção de se treinar aos fins-de-semana em Lisboa em alguns dos melhores clubes da zona de Lisboa, nomeadamente o CIF e o CETO. No vídeo seguinte podem ser ouvidas as declarações de Martim Trueva no final do encontro.

 

Os dois últimos encontros do dia reservavam a actuação de dois portugueses e os jogos foram disputados em simultâneo. No court Vila do Conde, Francisco Ramos deixou boas indicações diante de Carlos Boluda. O português, orientado por Nuno Marques, iniciou bem a partida, batendo de igual para igual com a “estrela” espanhola. Contudo, a excelente mobilidade do espanhol e a maior consistência de Boluda rapidamente entraram em acção, o que permitiu a conquista de 5 jogos consecutivos para o espanhol. Ramos, a jogar bem perto do limite e muitas vezes a forçar em demasia as suas pancadas, ainda reduziu para 2-5 mas o espanhol não tremeu e fechou o 1º parcial por 6-2, perante algum descontentamento do português. Nuno Marques observava com atenção o jogo do espanhol, seguramente um jogador que desperta a atenção e o elogio de todos, dada a sua superioridade patenteada ao longo de todos os encontros jogados esta semana. No final do 1º set deste encontro, resolvi espreitar o desafio de Francisco Dias, que não parecia muito bem encaminhado. O britânico Alistair Barnes dominava por completo o embate, impondo o seu serviço canhão e o seu poderio físico impressionante. O português parecia claramente em dia não e foi quase sempre obrigado a uma posição defensiva, quando claramente se sente mais confortável numa postura mais atacante. 6-0 foi o resultado pesado do 1º parcial e o rumo dos acontecimentos parecia difícil de inverter, tal era o domínio do britânico. Por esta altura já se fazia tarde em Vila do Conde, com a garantia que no dia seguinte haveria mais ténis para poder assistir…                

 

 

 

 
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
 

O dia amanheceu bem cinzento no norte do país e Vila do Conde não foi excepção, com alguns pingos de chuva a ameaçar precipitação que em nada seria desejável para o torneio. Uma das coisas que mais me agradam neste evento é a perfeita simbiose com o típico ambiente da cidade. No Parque de Jogos onde se encontram localizados os courts, passam diariamente uma série de pessoas, que entre jogging, passeios familiares ou cafés entre amigos, acabam por “desembocar” neste local. Este facto abre a possibilidade de uma maior assistência nas bancadas montadas para o evento, proporcionando um maior apelo para os jogadores bem como uma maior divulgação da modalidade, que pode atingir um vasto grupo de pessoas que não se deslocaram ao parque nesse sentido.

A ordem de jogos para este dia reservava a possibilidade de poder assistir à actuação de Francisco Dias, que tão bem esteve na semana passada na Taça Diogo Nápoles no Lawn Tennis Club no Porto, Francisco Charters e ainda Martim Trueva, que na sessão nocturna de ontem (quarta-feira) foi obrigado a disputar um duro encontro frente ao russo Egor Kovalev (510º júnior), tendo vencido pelos parciais de 4-6 7-5 6-1.

Na sessão matinal três portugueses já tinham sido eliminados: Manuel Marcelo (por duplo 6-1), Ana Claro (por 6-3 6-1) e Cátia Rodrigues (6-2 6-3).

No primeiro encontro que tive oportunidade de assistir, Francisco Dias defrontava o espanhol Cristian Gonzalez. O português liderava por 7-6(5) 2-2 e mostrava-se bastante dinâmico. O atleta do CETO já demonstra um físico bastante desenvolvido e isso nota-se no seu jogo, com um serviço e direita portentosos. O português tentava motivar-se ao longo do jogo e em geral assumiu as despesas deste, forçando a parada perante um jogador espanhol mais reactivo. O encontro avançava para uma vitória natural do português quando este se adiantou para 5-2. Contudo, o espanhol foi reduzindo a desvantagem, salvando pelo caminho um match-point. Quando se deu conta, o parcial estava novamente empatado, desta feita a 5-5. Ambos seguraram o seu serviço, levando a discussão do 2º parcial a um novo tie-break. Neste, o português esteve errático, perdendo 6 pontos consecutivos e dando a vantagem de 6-1 a Gonzalez. Dias ainda reduziu mas não foi suficiente. O encontro ia ser discutido num terceiro parcial, para grande frustração do português. No entanto, “Xico” entrou com força no último parcial e quebrou imediatamente o serviço ao espanhol, adiantando-se para 2-0. O espanhol conseguiu segurar um difícil terceiro jogo mas a partir daí Francisco Dias agigantou-se, vencendo os quatro jogos seguintes, recorrendo ao seu forte serviço e muitas vezes aplicando o binómio serviço – winner direita.

Fiquei agradado com a prestação de Francisco Dias que me pareceu apresentar claro potencial para uma boa carreira sénior. Apesar de desconcentrações constantes, especialmente sentidas no gerir da vantagem do 2º set e na escolha de pancadas em alguns momentos do encontro, o português exibiu-se em grande nível e soltou várias exclamações da bancada que se mostrava satisfeita com o desempenho do atleta luso.

Durante o encontro do português, pude dar um salto ao court RB onde Martim Trueva treinava com o francês Loic Ducourau (o tal que ontem comparámos a Federer). De lá tirei a primeira impressão do seu jogo, que mais tarde tive a oportunidade de poder observar com maior detalhe.

O jogo seguinte no court principal do evento contava com o duelo entre Carlos Boluda e o português Francisco Charters, outro representante do clube CETO. A tarefa não se adivinhava fácil especialmente após a excelente exibição protagonizada no dia anterior pelo espanhol. Charters é um jogador alto e magro. Do seu arsenal de pancadas destaca-se a esquerda a uma mão, na minha opinião a sua melhor arma. A direita não é muito potente mas tende a ser colocada. Quanto ao confronto em si, iniciou-se de modo algo semelhante ao verificado no encontro de ontem de Boluda, com os três primeiros jogos a serem bastante equilibrados, numa altura em que ambos os jogadores ainda se testavam. Cedo se percebeu que Boluda não se encontrava tão seguro como contra Pablo Lija. Para além disso, Francisco Charters mostrou-se sempre muito lutador e mesmo quando se viu com uma desvantagem de 4-1 no 1º set, não baixou os braços, vencendo os dois jogos seguintes. Nesta altura, quando o português servia com 15-30 no marcador, o árbitro indica let no 2º saque de Charters, tendo contudo ambos os jogadores prosseguido o encontro, parecendo não se aperceber do sucedido (pelo menos no caso de Boluda). Charters venceu entretanto o ponto, o que daria 30-30. Contudo, o treinador de Boluda, apercebendo-se da tremideira do árbitro que hesitou em reafirmar o let e consequente repetição do ponto, gesticulou e chamou pelo seu pupilo, que quando se apercebeu, foi tirar satisfações com o juiz de cadeira. Nesta altura gerou-se alguma confusão, nomeadamente no público mais desatento que não se apercebeu do sucedido. O ponto acabou por ser repetido, curiosamente com o mesmo desfecho. Ainda assim, Boluda conseguiu a quebra de serviço e fechou o 1º parcial por 6-3. No final deste set, aproveitei para percorrer os restantes palcos deste torneio, assistindo a partes de alguns jogos de pares que entretanto se desenrolavam. O encontro no court GP que opunha a dupla Faria/Turudic (BRA/CRO) ao par Shumilina/Gerasimova (RUS/BLR) despertava um grau de curiosidade e atenção desproporcionais ao habitual neste tipo de encontros, muito por culpa do público masculino que pareceu muito interessado nos atributos físicos das atletas. As jogadoras tentavam manter-se alheias aos piropos e foram disputando uma partida bem equilibrada, em 3 sets, com a vitória a sorrir à dupla de leste. Neste encontro apercebi-me da não aplicação da nova regra de pares, que implica a realização de um super tie-break em substituição do 3º parcial. Investiguei quadros de outros torneios e verifiquei soluções mistas, não sabendo se existe propriamente uma possibilidade de escolha por parte da organização ou pura e simplesmente uma regra pouco clara.

Quando regressei ao court principal, Boluda já vencia por 5-1 no 2º set. Charters ainda recuperou dois jogos mas acabou por ceder por 6-3 no parcial final. Apesar de não demonstrar o potencial de Francisco Dias, Charters mostra garra e combatividade (embora por vezes mal dirigida e controlada), virtudes que bem direccionadas são essenciais num praticante da modalidade.

No court central ainda restavam os encontros de Martim Trueva e de Maria João Koehler. Ainda pude assistir ao 1º parcial de Trueva, que venceu com naturalidade (e mais tarde apurar-se para os quartos de final) mostrando maior consistência e um ténis mais fluído do que o seu adversário israelita Genia Gamazov. Este parecia padecer de bolhas nos pés, motivo pelo qual foi assistido quando se encontrava em desvantagem por 5-2 no 1º set. Estou contudo curioso por assistir ao desempenho de Trueva perante um adversário mais combativo.

Quanto a Maria João Koehler, ainda não assisti a nenhum dos seus desempenhos neste torneio. Confirmando-se o seu favoritismo no encontro de hoje diante da israelita Zimmermann, a portuense será a primeira a entrar em acção no dia de amanhã, na sessão relativa aos quartos de final do quadro de singulares. 

 
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
 

O dia de hoje voltava a ser bem preenchido no “Vila do Conde Tennis Cup” com a finalização dos encontros relativos à 1ª ronda do quadro de singulares masculino e feminino. Mais uma vez contámos com uma série de portugueses em acção com resultados bem positivos. Na parte da manhã, Francisco Charters e Francisco Ramos venceram os seus encontros. Ana Claro, do lado feminino, protagonizou uma exemplar reviravolta, após ter estado a perder por 6-7(4) 4-5 (0-40), tendo salvo 3 match-points. A partir daí só deu Ana Claro, que venceu os nove jogos seguintes, fechando o encontro por 6-7(4) 7-5 6-0.

Federer e Nadal marcaram presença no torneio…

Quando cheguei ao recinto, desenrolava-se um encontro da 1ª ronda do quadro masculino no court BPI. O embate entre o francês Loic Ducourau (413º júnior, 17 anos recentes) e o israelita Iran Hecht (698º júnior e 16 anos) chamou a minha atenção. Desde logo o encontro mostrava um nível bem apelativo, sem a intensidade de outros embates que entretanto viríamos a assistir mas com um equilíbrio bem patente. Contudo, o que realmente chamava a atenção era o estilo do francês Ducourau (na fotografia). Com um equipamento preto igual ao utilizado pelo ex-nº 1 mundial Roger Federer, com maneirismos em tudo idênticos ao suíço, Ducourau seria a mais recente incarnação de babyFederer. Para além do visual, tiques e a discreta celebração após os pontos, a própria movimentação em court e as pancadas (especialmente a esquerda a uma mão, bem bonita por sinal) faziam lembrar o grande campeão. Contudo, até a sua incarnação parece dar-se mal com este estilo e mesmo chamando a atenção de todos na bancada, não evitou a derrota por 6-3 6-2, num encontro bem mais equilibrado do que aquilo que o marcador regista.

Se por um lado no court BPI podíamos assistir a uma personificação de Roger Federer, no court principal, a grande atracção do torneio coqueluche entrava em acção a singulares, demonstrando um estilo completamente diferente. Apesar de não ser muito alto, o espanhol mostra-se possante em termos físicos e transborda atitude e confiança. Também ele joga de manga cava, com protecções nos joelhos e fita no cabelo. À primeira vista estamos perante a versão mais jovem de Rafael Nadal. Em termos de jogo, Boluda é um jogador intenso, agressivo e dinâmico. Impõe um forte ritmo de jogo com as suas pancadas profundas e pesadas, especialmente com a sua direita. Não espera pelo erro do adversário e toma iniciativa do ponto, divergindo assim um pouco das características primárias do actual nº 1 mundial. Na técnica de serviço apresenta uma boa chicotada final mas é claramente uma pancada que pode e deve ser melhorada. Quanto ao comportamento em campo, apesar da sua presença é discreto e não se manifesta muito. De vez em quando consegue-se visualizar um punho cerrado mas nada de muito exuberante. O seu encontro com o compatriota Pablo Lijo Santos ainda se iniciou de modo bem interessante, com o menos conhecido a mostrar algum valor e a protagonizar belas trocas de bola. Contudo, a intensidade de jogo de Boluda começou a ter efeitos e a partir do 3º jogo do 1º set, a partida começou a evoluir bem mais rapidamente.

O encontro de Boluda protagonizou a maior enchente do dia, com vários curiosos para assistir à estreia da pequena “estrela” espanhola.

Bárbara Luz em apuros a singulares

A portuguesa Bárbara Luz foi a última portuguesa a entrar em acção em singulares durante a parte da tarde, deixando apenas Martim Trueva, 2º cabeça de série do evento, para a sessão nocturna. Diante da britânica Samantha Vickers (367ª júnior), com um ranking semelhante ao seu (394ª), a portuguesa poderia ter hipóteses de seguir para a ronda seguinte. Com um vasto clube de fãs que a foram apoiando ao longo do encontro Bárbara foi tentando inverter a tendência de domínio britânico que se foi sentindo quase desde o princípio da partida. Ainda me recordo de ver Bárbara Luz há cerca de 3 anos em Coimbra aquando da realização de torneios de ténis universitário, nos quais participei. Na altura Bárbara era ainda uma criança baixa e franzina mas era já uma autêntica máquina de bater bolas. Cheguei a assistir a alguns dos seus treinos que na altura me deixaram boa impressão. Era por isso com curiosidade que assistia ao seu encontro, de modo a avaliar o seu nível actual.

 Nos primeiros jogos ainda ocorreu algum equilíbrio, com a portuguesa a conseguir causar algumas dificuldades quando colocava a sua esquerda muito tensa, com um ressalto particularmente baixo. Contudo, a maior agressividade e consistência de Vickers foram aos poucos colocando a portuguesa em constantes situações de desvantagem ao longo dos pontos. 6-3 3-1 era a vantagem da britânica quando saí do clube. Quanto à qualidade do jogo da portuguesa, penso que neste momento lhe falta algum poder de fogo, uma vez que tem algumas dificuldades em conseguir provocar o desequilíbrio na adversária. Estes próximos dois anos serão fundamentais no seu desenvolvimento, no sentido em que darão mais respostas quanto à sua evolução.

O dia de amanhã promete com vários portugueses em acção na 2ª ronda de singulares. Ana Claro, Manuel Marcelo, Cátia Rodrigues, Francisco Ramos, Francisco Dias, Francisco Charters e Maria João Koehler estão todos na ordem de jogos para amanhã. Martim Trueva também disputará o encontro amanhã caso se confirme a sua vitória na 1ª ronda, durante a sessão nocturna desta quarta-feira.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

 

Esta semana desenrola-se nos courts do parque de jogos de Vila do Conde a “Vila do Conde Tennis Cup”, evento misto júnior que alberga alguns dos grandes nomes nacionais e internacionais das camadas jovens praticantes de ténis.

Mais uma vez é um prazer para a equipa do LusoTénis fazer a cobertura possível ao evento, desde já mais uma bela oportunidade para tomar conhecimento de jovens promessas e talentos e avaliar a evolução ou o momento actual de outros jogadores que em torneios anteriores já tivemos a oportunidade de conhecer.

As qualificações para este evento foram decorrendo ao longo do fim de semana e finalizaram-se na segunda-feira. O primeiro dia que tivemos oportunidade de assistir foi terça-feira. Como não conhecíamos o local onde decorriam os jogos, tivemos que pedir indicações a alguns locais que pareceram claramente informados quanto à realização de um torneio na localidade, o que desde já é um bom sinal.

O torneio desenrola-se em pleno parque municipal, local de lazer para muitos vilacondenses que aproveitam as infra-estruturas e o ambiente natural para exerceram a prática desportiva. No meio do parque existem quatro courts, tendo sido estes denominados de Vila do Conde, BPI, GP e RB. A visualização dos encontros é apenas lateral, onde existem umas pequenas bancadas montadas que permitem à assistência poder desfrutar dos encontros.

Aquando da nossa chegada, já alguns portugueses tinham efectuado as suas partidas. Maria João Koehler e Cátia Rodrigues venceram tranquilamente os seus encontros relativos à 1ª ronda do quadro principal. Destaque para ambas uma vez que Cátia Rodrigues garantiu o lugar no quadro principal após “sobreviver” à fase de qualificação e a Maria João Koehler por bater logo de entrada a sexta cabeça de série do evento, a austríaca Christina Mathis. Por sua vez, a convidada da organização, Rita Vilaça, não foi capaz de suster a jogadora da Letónia, Diana Marcinkevica, tendo cedido de entrada em dois parciais.

No lado masculino, Manuel Marcelo e Francisco Dias também já tinham assegurado o passaporte para a 2ª ronda, com vitórias claras sobre os seus oponentes israelita e britânico, respectivamente.

Enquanto decorriam alguns encontros da variante de pares, foi-nos possível absorver um pouco o ambiente que se vivia. No bar do parque, tivemos o primeiro contacto com a estrela do torneio, a promessa espanhola Carlos Boluda (na foto à esquerda), de quem muito se espera. O estilo não enganava e sentado à mesa com o seu portátil, ia dando música aos clientes do bar, não parecendo muito importado se o seu gosto musical ia de encontro ao desejado por aqueles que mais próximo de si se encontravam…tal era o nosso caso e em tom de brincadeira asseguramos que o jovem Boluda poderá ter um gosto no mínimo…duvidoso.

Quando se regressou ao court principal (court Vila do Conde), decorria um encontro de pares com um dupla portuguesa (Miguel Cortez e José Alves – nas fotos em cima). Os portugueses foram naturalmente afastados, não deixando contudo de mostrar alguma vontade em inverter o rumo dos acontecimentos. Nas bancadas podíamos encontrar vários jogadores portugueses, entre eles o recente vencedor da Taça Diogo Nápoles, disputada no Lawn Tennis Club da Foz, Martim Trueva (na foto à direita).

Contudo, seria o jogo seguinte o mais aguardado por muitos, a estreia de Carlos Boluda no evento, ainda que na vertente de pares, ao lado do seu compatriota Javier Marti. Boluda mostrou boas indicações, nomeadamente uma bola profunda e pesada. A dupla espanhola apresenta um estilo curioso e normalmente não muito apropriado para o jogo de pares uma vez que optavam por permanecer na linha de fundo mesmo durante as trocas de bolas. Segundo comentário de Maria João Koehler na bancada, isso valeu-lhes a derrota nos Campeonatos da Europa.

A temperatura foi diminuindo claramente, até ficar um frio algo desagradável na zona do parque e em toda a cidade, tendo sido o sinal escolhido para terminar a reportagem do primeiro dia.


 
 

 


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