| Albert
Montanes renasce das cinzas
O espanhol Albert Montanes, 35º classificado do
ranking mundial, sagrou-se esta tade campeão da
20ª edição do Estoril
Open ao bater o norte-americano James Blake, 4º
cabeça de série, por 5-7 7-6(6) 6-0. Montanes,
que se encontrava na 6ª final ATP da sua
carreira, venceu o 2º título após a estreia em
Amersfoort em 2008. O 1º set ficou marcado pelo
domínio dos jogos de serviço, tendo vários deles
sido fechados em branco para ambos os tenistas.
Montanes foi mesmo o primeiro a dispôr de 2
pontos de break a 4-4, contudo Blake conseguiu
recuperar e colocar pressão no jogo de Montanes
quando este servia com desvantagem a 5-6. O
espanhol cometeu duas duplas-faltas e entrega o
set por 7-5 quando falha um passing-shot cruzado
de esquerda. O norte-americano voltou a revelar
o sangue frio demonstrado no jogo da 1ª ronda
face ao nº 1 português, Frederico Gil, onde
também na altura soube fechar o 2º set a seu
favor na primeira e única oportunidade que
dispôs. No 2º set, a toada manteve-se e apesar
de James Blake apresentar algum ascendente com a
sua poderosa direita, não conseguia pressionar o
suficiente o serviço de Montanes, cometendo
também alguns erros de resposta ao serviço com a
sua esquerda. Ao 3-3 no 2º set, Montanes
consegue quebrar pela primeira vez o serviço de
James Blake, não tendo contudo mantido essa
vantagem e sofrido um contra-break imediato. O
norte-americano fechou o seu jogo de seguinte
para se adiantar para 5-4 e no jogo seguinte, no
serviço do espanhol, deu-se o momento de viragem
do encontro. O espanhol já tinha salvo um
match-point no encontro dos quartos de final
face ao 1º cabeça de série, o francês Gilles
Simon e nesta final voltou a cometer tal proeza
ao salvar 2 pontos de torneio a 5-4 no 2º set,
altura em que James Blake poderia ter
concretizado a vitória no torneio por 7-5 6-4.
Blake falhou duas respostas ao serviço com a sua
esquerda e viu assim esfum ar-se
a oportunidade vencer desde logo o seu 1º
torneio de terra batida em solo europeu. A
partir desse momento, o espanhol galvanizou-se e
Blake foi progressivamente ficando encolhido em
court, com uma linguagem corporal pesada e
desanimada. Durante a primeira fase do encontro,
a direita de James Blake fez a diferença,
conseguindo destabilizar o jogo de Montanes,
contudo os pontos foram ficando cada vez mais
longos, com enormes "rallies" cruzados de
esquerda e com o norte-americano a perder
acutilância no seu jogo de fundo de court. No
tie-break, o equilíbrio manteve-se e apesar de
Blake ter salvo um set-point com uma fantástica
direita descruzada, não segurou o crescendo do
espanhol, que fechou o desempate por 8-6. Este
revés no 2º set desmoralizou completamente o
norte-americano, que poderá eventualmente ter
acusado o cansaço da meia-final disputada na
parte da manhã frente ao russo Nikolay Davydenko.
O 3º set foi um passeio para Montanes que venceu
por 6-0, aproveitando 4 duplas-faltas de Blake e
uma péssima percentagem de conversão de pontos
no seu 2º serviço deste último. No final do
encontro James Blake revelou-se bastante
cabisbaixo e disparou em direcção aos
jornalistas. "Alguma vez viu ténis?", perguntou
o norte-americano em resposta ao primeiro
jornalista que lhe perguntou como tinha deixado
perder o jogo após ter 2 match-points a seu
favor. De modo algo intimidante, lá se mostrou
satisfeito com a sua semana, dizendo que apenas
jogou um mau set durante toda a semana. Montanes
revelou ter uma semana de sonho. Para além do
sucesso pessoal, como é um aficcionado confesso
da equipa de futebol de Barcelona, nada lhe
poderia ter corrido melhor.
Albert Montanes
evita assim o pleno norte-americano nesta 20ª
edição do Estoril Open. Depois dos pares
femininos e de hoje, também uma dupla dos
Estados Unidos ter conquistado o troféu em pares
masculinos, o espanhol evita a vitória de James
Blake, que viria contradizer todos as ideias
preconcebidas contra o nível de ténis dos
jogadores daquele país em terra batida. O último
norte-americano a chegar à final do torneio
português foi Todd Martin há precisamente 10
anos. Montanes volta a levar o troféu para
Espanha, 8 anos após a vitória de Juan Carlos
Ferrero na edição de 2001 e é o primeiro
vencedor do troféu a salvar match-points desde
que Carlos Costa venceu o troféu em 1994.
James
Blake ainda venceu de manhã ...
Apesar da derrota
na final, o dia nem começou de modo negativo
para James Blake. O 4º cabeça de série partia
em
desvantagem no reatamento da meia-final face a
Nikolay Davydenko (6-7(3) 4-2). Tal como tinha
sucedido no dia anterior, no recomeço da partida
após interrupção, Blake perdeu o break de
vantagem que possuía e deixou Davydenko
recuperar e ameaçar a vitória em apenas 2 sets.
Depois de uma sucessão de breaks, a decisão do
2º set foi levada ao tie-break, onde desta feita
Blake prevaleceu. O seu estilo de jogo mais
agressivo colocou Davydenko numa posição bem
defensiva, este que ainda não apresenta os
níveis físicos desejáveis e que não se dá bem
com a direita poderosa do norte-americano, como
atesta o desnivelado confronto directo anterior
a esta meia-final, que Blake liderava por 6-0.
No tie-break, Blake superiorizou-se e venceu por
7-2, transportando o ascendente do encontro para
o 3º set, onde com um break de vantagem fechou a
partida por 6-3.
Butorac
e Lipsky superam as próprias
expectativas
Se no dia anterior
uma dupla norte-americana tinha conquistado o
troféu feminino nessa variante, também hoje a
dupla formada Eric Butorac e Scott Lipsky, ambos
tenistas oriundos dos Estados Unidos, levam o
"caneco" numa viagem transatlântica. O par
impôs-se sobre a dupla formada por Martin Damm e
Robert Lindstedt, em apenas dois parciais: 6-3
6-2. Pelo caminho até à vitória, a dupla
vencedora eliminou o par 1º cabeça de série logo
na 1ª ronda, tendo a partir daí crescido em
confiança até ao título final.
Segunda melhor
assistência de sempre ... depois de Federer
Ficou longe da
assistência da edição de 2008 mas o 20º ano do
Estoril Open fica no 2º lugar da tabela de
visitantes do torneio. 45.513 pessoas visitaram
o complexo do Jamor num ano que não beneficiou
da presença de uma estrela do gabarito de Roger
Federer, como sucedeu em 2008, onde na altura
foram contabilizados 53.888 visitantes.
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