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No fim
de semana passado, 31 Maio a 1 de Junho, realizou-se no
clube de Ténis de Braga, as jornadas nortenhas do
Programa Nacional de Detecção de Talentos da Federação
Portuguesa de Ténis (PNDT-FPT), num estágio organizado
em conjunto com a Associação de Ténis do Porto. Este
estágio sub-10 foi realizado em simultâneo com o torneio
ITF feminino de 10.000$ que foi concluído no mesmo fim
de semana. “Pequenos” jogadores de vários pontos do
norte e centro do país foram avaliados num clima
saudável.
As
selecções ATPorto, coordenadas por Rui Silva (iniciadas
em 2004) e o PNDT-FPT (iniciado em 2006) efectuaram o
primeiro estágio conjunto em Fevereiro de 2008, em Viana
do Castelo. Em cooperação com o Laboratório de
Cineantropometria da Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto (coordenado pelo Professor Doutor
José Maia), pretende-se estudar a evolução dos jogadores
durante um período de pelo menos 4 anos. A recolha de
dados foi iniciada nos estágios de 2007 (Espinho,
Ourense) e prolongada em 2008 (Viana do Castelo e o
estágio realizado em Vila do Conde no fim de semana de
24 e 25 de Maio).
A
convite da Associação de Ténis do Porto, que gentilmente
contactou a equipa do LusoTénis para assistir ao evento,
foi possível constatar um processo dinâmico que nos
permitiu perceber um pouco mais sobre como são
trabalhadas as bases dos “nossos” futuros tenistas,
nomeadamente ao nível de métodos, objectivos e meios.
O
objectivo principal destas iniciativas é um crescimento
e avaliação técnico, social e profissional dos jovens,
que vai permitindo acumular uma já interessante base de
dados sobre as características de cada um dos
intervenientes.
Diferentes critérios são utilizados para construir estas
bases de dados, desde estudos ao nível da estrutura
somática, com os respectivos perfis capazes de indicar
se existe algum jogador em destaque, por mera comparação
individual de cada um com a média dos jogadores e o
jogador de referência, isto é aquele que obtém os
melhores parâmetros nesse campo de avaliação.
O
perfil motor é também avaliado por medições específicas,
entre as quais lançamentos e sprints. As outras
vertentes avaliadas são a técnica e a parte competitiva
(realização de torneios integrados nestes estágios).
Este último campo de avaliação é definitivamente
essencial pois evita o risco de se realizar uma
classificação meramente objectiva (técnica e física)
quando a prática da modalidade envolve muitas outras
dimensões, especificamente a psicológica. A vontade e
determinação de cada jogador aliado às suas capacidades
em competição constituem parâmetros que influenciam a
classificação final das crianças em avaliação. No fundo,
trata-se de ir mais além do que um mero treino técnico,
as capacidades coordenativas são também sublinhadas com
especial ênfase.
A
avaliação biomecânica será também uma vertente a aplicar
no futuro, contudo a um grupo mais restrito. Os
jogadores com maior potencial em todas as áreas
anteriormente referidas serão seleccionados para
trabalhar com o Doutor César Coutinho, um dos
especialistas mundiais na área.
Como
é a avaliação efectuada?
Os critérios de avaliação baseiam-se num índice - ITN
(Internacional Tennis Number), que representa um
indicador que reflecte o nível geral de um jogador e é
baseado sob as directivas da ITF. Baseia-se num sistema
de 1 a 10 em que o nível 1 demonstra um elevado nível
normalmente apresentado por jogadores capazes de atingir
um ranking internacional enquanto que o nível 10
significa que o jogador se encontra apenas a dar os
primeiros passos na modalidade. Este sistema não se
baseia apenas numa avaliação técnica de pancadas
individuais e inclui situações tácticas de jogo e toda a
envolvência da própria competição.
Nas
figuras podem ser observadas as pontuações atribuídas em
duas avaliações distintas: precisão e direcção de
pancadas e ainda qualidade e profundidade do vólei.

Este
índice associado às restantes avaliações motoras e
somáticas são excelentes pistas sobre os aspectos a
trabalhar em cada um dos casos bem como uma
identificação clara de jogadores de destaque.
Vários
países estão envolvidos neste tipo de avaliação e a
partilha de valores médios entre as diferentes nações e
consequente análise do sucesso de cada país quando chega
a hora do profissionalismo pode ser um bom indicador
quanto à posição de Portugal relativamente à média.
Para
além disso, a confirmação ou não de valores promissores
poderá também dar algumas respostas quanto às etapas que
poderão ou não estar a falhar no processo de formação.
Esta
iniciativa poderá começar a colher frutos durante a
próxima década, quando alguns destes jogadores optarem
por uma carreira profissional, especialmente porque a
abordagem efectuada sobre a formação é colocada sobre
uma perspectiva muito mais profissional. |