Luso Ténis
 

 

Davis Cup GII 2ª ronda - Portugal vs Chipre (1º dia)

 
  Texto: Vítor Espírito Santo

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  Fotos: Rui do Carmo/Lusotenis.com  
 

Num belo dia de Verão, no Lawn Tennis Club da Foz, decorreu hoje, dia 18 de Julho, o primeiro dia da eliminatória entre as selecções de Portugal e Chipre, relativa ao Grupo II da Zona Europa/África da Taça Davis de 2008. À partida, a selecção portuguesa apresentava-se na máxima força com Frederico Gil e Rui Machado, os melhores jogadores actuais e em boa forma e ainda Leonardo Tavares (nº 3 nacional) e João Sousa, que este ano fez por merecer a convocatória após excelentes resultados. Por sua vez, a equipa do Chipre apresentou-se desfalcada do seu jogador mais importante, Baghdatis. Este optou por não defender as suas cores nacionais nesta eliminatória devido ao apertado calendário que inclui a preparação para os Jogos Olímpicos, em superfície rápida. Por outro lado, nesta eliminatória não se decide uma possível descida de divisão e desse modo, a ausência do nº 1 cipriota não assume a mesma proporção. Da equipa do Chipre, apenas um jogador apresenta ranking internacional, Photos Kallias, actual 623º ATP, que no sorteio calhou como adversário do nº 2 nacional, Rui Machado, no primeiro dia da eliminatória. Por sua vez, Frederico Gil teve que enfrentar George Kallias, sem ranking ATP. Perante estes desafios, a selecção portuguesa assumia-se naturalmente como grande favorita.

Antes de mais, umas palavras relativas ao clube onde se disputa esta eliminatória. Mesmo encostado ao Forte de S. João da Foz, o Lawn Tennis Club é um espaço muito agradável, com 5 campos de terra batida e um de relva. O court central estava montado, ocupando dois desses courts devido ao espaço utilizado para as bancadas. Aquando da chegada da equipa do LusoTénis, Leonardo Tavares e João Sousa treinavam num dos courts laterais. João Sousa parecia algo fatigado e estava mesmo bastante irritado com a sua prestação ao longo do treino, onde acabou por falhar várias bolas.

Pouco tempo depois deu-se a apresentação das duas equipas, com os respectivos hinos nacionais. Perante uma casa longe de estar cheia, ainda assim com um número bem positivo de espectadores, deu-se início ao primeiro encontro do dia, o desafio entre Frederico Gil e George Kallias. Logo no aquecimento foi possível observar o movimento de serviço estranho do cipriota, que se revelou essencial ao longo do encontro. Este encontro não teve qualquer história, com um domínio absolutamente avassalador do jogador luso que mostrou enorme superioridade em todos os departamentos. No 1º set, Gil adianta-se para 5-0 e no serviço de Kallias dispôs de 2 set-points para fechar o set a zero. Contudo, o cipriota conseguiu colocar o seu nome no marcador para de seguida perder o parcial por 6-1. No 2º set, a história manteve-se com Gil a adiantar-se para 3-0. Contudo, quando o português serviu para se adiantar para 4-0, sofreu uma pequena desconcentração, que aliada ao conjunto de boas pancadas do cipriota levou à recuperação de uma das quebras de serviço por parte de Kallias. Este foi mesmo o melhor momento do cipriota, que aproveitou uma redução do nível de Gil, que começou a falhar mais. Ainda assim, o português não teve grandes problemas em conquistar os três jogos seguintes de modo a vencer o 2º parcial. No terceiro e último parcial, Kallias não foi incapaz de impedir aquilo que tentou evitar ao longo de todo o encontro e perdeu por 6-0 perante um arsenal muito mais ofensivo do português.

Na conferência de imprensa, Frederico Gil mostrou-se muito elogioso da organização do evento e do clube onde se disputa a eliminatória, realçando a vontade de voltar a jogar mais eliminatórias nestes courts. O português também referiu a falta de história do encontro. Perante uma pergunta interessante de Hugo Ribeiro (um dos cronistas do LusoTénis e conhecido comentador e cronista noutros órgãos de comunicação reputados) sobre a opinião de Gil acerca da ausência de Baghdatis pelo facto de não estar em jogo nesta eliminatória uma manutenção nesta divisão e por conflitos com a sua carreira profissional, e sobre a possibilidade de o português ser capaz de fazer o mesmo caso numa fase mais avançada da carreira quando também esteja em causa a presença num Masters Series ou o planeamento da temporada, Gil mostrou o seu enorme prazer em defender as cores nacionais mas que uma decisão dessas iria depender obviamente de várias situações.

O segundo encontro do dia esperava-se mais equilibrado uma vez que a diferença de rankings não era tão acentuada. Photos Kallias é canhoto e mostrou muito mais ténis do que o seu compatriota, no entanto nunca mostrou ser capaz de contrariar o ascendente de Rui Machado. O algarvio adiantou-se mesmo por 3-0 e após uma série de quebras de serviço, chegou ao 5-2. Rui Machado acabou por tremer um pouco nesta fase e viu a sua vantagem reduzida para 5-4, desperdiçando set-points em ambos os jogos. Contudo, quando voltou a servir para fechar o set, concretizou uma das várias oportunidades que dispôs para se adiantar no marcador. No 2º set, o português voltou a quebrar o serviço de entrada ao cipriota, confirmando no seu jogo de serviço seguinte a vantagem. A partir daí, o português manteve a liderança até ao 4-2, contudo Kallias recuperou o break e igualou a 4-4 numa altura em que Rui Machado se mostrava algo irregular e bastante irritado, ora arrancando winners de belo efeito ora cometendo erros crassos. Contudo, no jogo seguinte, o português mostrou toda a sua raça perante uma plateia ao rubro e recuperou o break, fechando o parcial novamente por 6-4. No último parcial, o jogo desceu de nível e o português conquistou a quebra de serviço no quinto jogo, tendo mais tarde a oportunidade para fechar o encontro quando serviu por 5-4. Contudo, nessa altura os nervos apoderaram-se de Machado que cometeu uma dupla falta num ponto decisivo, permitindo ao Cipriano igualar o marcador no 3º set. A reacção do português não se fez esperar e voltou a mostrar toda a sua vontade, pressionando Kallias e garantindo nova quebra de serviço. Perante nova possibilidade para fechar o encontro, Machado não vacilou e encerrou a partida por 6-4 6-4 7-5.

Na conferência de imprensa, Rui Machado referiu que esteve sempre por cima no encontro e que nunca se sentiu ameaçado pelo adversário mas que porventura esse controlo e gestão que foi implementando lhe terá custado alguns jogos, equilibrando mais os parciais.

Em resumo, domínio claro dos portugueses, em especial de Frederico Gil que não teve adversário à altura. Rui Machado não se mostrou no seu melhor mas ainda assim controlou completamente o encontro, impondo sempre um ritmo forte com a sua potente direita.

 
 
 

 


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