Luso Ténis
 

 

Radar do Ano 2008 - Nacional

 

Utilizando, como metáfora, terminologias da pancada de saída do ténis - o serviço -, é altura de avaliar de o desempenho dos nosso principais tenistas no ano que acabou conforme as expectativas que se tinha para cada um no início de 2008 e segundo o seu grau de progressão.

Para tal, serão utilizadas as terminologias Ases para distinguir um excelente ano, 1º Serviço para uma boa ou razoável época, 2º Serviço para uma temporada intermitente e Dupla-Falta para quem esteve aquém das expectativas.

Com consciência que as escolhas que se seguem para cada categoria são subjectivas, esta crónica não pretende ser "a" avaliação, mas sim mais "uma", segundo a perspectiva do seu autor, que reflicta sobre o ano que finda. Todas as escolhas são efectuadas segundo uma gestão de expectativas geradas não só no início de 2008 mas também ao longo da temporada.

 

Ases | 1º Serviço | 2º Serviço | Duplas-Faltas

Lista Completa

 
 
Michelle Brito

Já colocada nesta categoria em 2007, Michelle Brito confirmou em 2008 todas as promessas que tinha feito no ano anterior. Tendo apenas disputado 13 eventos (11 deles do circuito WTA) dadas as restrições impostas pela WTA às jovens jogadoras, Michelle voltou a concretizar alguns brilharetes, nomeadamente a presença na 3ª ronda no Tier I de Miami (para muitos o torneio mais importante imediatamente a seguir aos 4 Grand Slams), tendo batido na altura a top 20 Agnieska Radwanska, em mais uma emocionante batalha. Na temporada de Verão nos hardcourts norte-americanos apresentou-se em alta, com uma série de excelentes resultados. A temporada europeia (entre o Estoril Open e a qualificação para Wimbledon) foi a fase mais negativa, na qual não conquistou qualquer vitória. Em Julho deste ano, Michelle assumiu a liderança nacional, ultrapassando Neuza Silva que dominou as hostes lusas durante mais de um ano, concretizando assim a previsão expressa na análise do Luso Ténis do 1º semestre de 2008. Mais tarde, Michelle superou mesmo a anterior marca de Frederica Piedade (142ª WTA) e tornou-se a melhor lusa de sempre (119ª). Relativamente a 2007, Michelle triplicou a sua pontuação e escalou perto de 200 posições na tabela WTA, ficando instalada no top 130 mundial.

Para 2009 espera-se uma temporada ainda melhor para a jovem lusa, que poderá disputar mais torneios e assim entrar pela primeira vez no top 100 WTA. Será também curioso ver como se sai na temporada de terra batida e relva e se conseguirá evoluir em algumas das lacunas técnicas do seu jogo, nomeadamente o serviço e o jogo de rede.

 

Principais feitos: Vitórias sobre Agnieska Radwanska e Flavia Pennetta (ambas jogadoras top 20 aquando dos embates), 3ª ronda de Miami (Tier I) e quartos de final em Tashkent (Tier IV). Encontros a “3 sets” diante de Serena Williams e Svetlana Kuznetzova em Stanford e Montreal, respectivamente.

 
Frederico Gil

A temporada de 2008 foi excelente para o nº 1 nacional e não fosse uma lesão no joelho esquerdo, Gil poderia ter mesmo atingido uma época histórica. Frederico conseguiu este ano alcançar o objectivo que há muito lutava, a entrada no top 100. O jogador português conseguiu mesmo atingir a 86ª posição mundial, igualando assim a melhor marca de Nuno Marques, que até hoje ainda vigora como o melhor ranking alguma vez atingido por um jogador português. Tendo permanecido no top 100 por aproximadamente 2 meses, Gil acabou por não se “aguentar” nesse grupo mais restrito devido a uma pausa competitiva de 6 semanas, que o impediu de defender alguns pontos importantes da temporada de 2007 e que lhe retiraram toda a forma e confiança crescente que trazia até então. Gil termina a temporada na 110ª posição, 33 lugares acima de 2007 e pode abordar a próxima época com confiança redobrada. Este ano conquistou dois Challengers, Sassuolo (30.000$) e Istambul (100.000$), sendo o último o seu melhor resultado de sempre.

Gil foi ainda protagonista de um dos casos mais curiosos da temporada tenística internacional ao defrontar o francês Jeremy Chardy na 1ª ronda dos 3 Grand Slams em que esteve presente, tendo, infelizmente para as cores nacionais, perdido nas 3 ocasiões.

No Estoril Open, Gil é já o melhor português de sempre após atingir os quartos de final pela segunda vez na sua carreira. Tal feito permitiu-lhe defrontar a lenda activa do ténis mundial – Roger Federer.

O “calcanhar de Aquiles” da temporada de Gil foram as competições internas. A lesão afastou-o do Campeonato Nacional e por opção pessoal não se apresentou no Masters-CIMA, único evento interno que teima em lhe fugir.

Nesta fase resta saber qual será a estratégia do líder nacional quanto ao tipo de torneios que disputará. Face às primeiras listas, Gil deverá abordar torneios ATP “250”, os eventos menos cotados do circuito principal, mas que ainda assim representam uma evolução competitiva comparativamente com os torneios de nível challenger.

 

Principais feitos: Conquista de 2 Challengers, Sassuolo (30.000$) e Istambul (100.000$). Quartos de final do Estoril Open. Entrada no top 100, igualando a melhor marca de sempre para um jogador português – 86º - posição partilhada com Nuno Marques. Presença no quadro principal de 3 Grand Slams: Roland Garros, Wimbledon e US Open (os dois primeiros após qualificação).

 

Rui Machado

Rui Machado é o protagonista de um dos regressos mais impressionantes da temporada de 2008. O outrora nº 1 nacional, fustigado durante dois anos por lesões, regressado à competição em 2007 embora sem a confiança necessária para regressar ao nível que apresentava antes. Sob a direcção técnica de João Cunha e Silva reencontrou o seu melhor ténis e realizou a sua melhor temporada de sempre. Conquistou 6 torneios da categoria future (entre Fevereiro e Abril, o que lhe valeu a nomeação de jogador ITF do mês de Março), atingiu pelo menos os quartos de final de eventos challengers por 6 vezes e atingiu a 2ª ronda do US Open (após a fase da qualificação), naquele que terá sido um dos momentos mais emocionantes do ténis nacional em 2008. Machado chegou mesmo a desafiar Fernando Verdasco (13º ATP na altura), num encontro no qual apenas foi batido num 5º set. O algarvio escalou cerca de 650 posições ao longo da temporada, estacionando na 153ª posição, a sua melhor de sempre.

2008 foi também o ano em que recuperou o estatuto de campeão nacional, num torneio de sentido único, sem rival dada a ausência de Frederico Gil. Não conseguiu repetir o feito no Masters-CIMA, tendo cedido na final diante de Leonardo Tavares.

 

Principais feitos: Vitória em 6 torneios da categoria Future: Bari e Averno-Napoli (Itália); Faro, Lagos e Albufeira (Portugal) e Loja (Espanha). Meias-finais do challenger de 106.500$ em Córdoba, Espanha. 2ª ronda do quadro principal do US Open. Campeão Nacional Absoluto e vice-campeão do Masters-CIMA.

 

Neuza Silva

Embora tenha perdido a liderança nacional, Neuza Silva tem motivos para estar satisfeita com a sua temporada. Pela primeira vez na sua carreira termina o ano inserida no top 200 (e bem perto do top 150), resultado de um excelente 2º semestre (Neuza foi mesmo jogadora ITF do mês de Julho). A setubalense conquistou dois torneios de 25.000$ (Felixstowe, Vigo) e um de 10.000$ (Kaarst) ao longo do ano, todos eles em superfícies distintas, o que demonstra a sua versatilidade. Este foi também o ano de estreia nas qualificações para Grand Slams, tendo disputado todos eles. O US Open foi o único no qual passou da 1ª ronda, tendo sido apenas eliminada na 3ª ronda da qualificação.

A nível interno dominou a seu belo prazer, tendo conquistado o Campeonato Nacional Absoluto e o Masters-CIMA, em ambas as ocasiões por vitória sobre Frederica Piedade.
Para 2009, Neuza optou por uma estratégia distinta. A lusa “fechou” a época de 2008 mais cedo de modo a preparar a próxima temporada nas últimas semanas deste ano. O novo desafio será a entrada no top 150 e, dependendo da evolução da temporada, novos horizontes poderão ser criados.

 

Principais feitos: Vitórias nos 25.000$ de Felixstowe (Reino Unido) e Vigo (Espanha) e no 10.000$ de Kaarst (Alemanha). Campeã Nacional e vencedora do Masters-CIMA. 3ª ronda da qualificação para o US Open.

 
 
Frederica Piedade

Pode-se dizer que a temporada de 2008 marcou o regresso da ex-nº 1 nacional a um nível mais condizente com o seu historial. Piedade foi, a par com João Sousa, a jogadora nacional mais activa, tendo participado em 31 torneios. Deste volumoso número de eventos, Frederica apenas saiu vencedora num torneio menor em Toluca (10.000$), feito que marcou o seu regresso aos títulos internacionais de singulares, algo que não conseguia desde 2005. No entanto, a lusa atingiu a final de 2 torneios dotados de 25.000$ e as meias-finais de outros 5 eventos da mesma categoria, o que revela a época bastante interessante de Piedade. Este conjunto de resultados proporcionou uma subida de praticamente 100 posições, tendo ficado bem perto de reentrar no top 200 do ranking mundial.

O desafio para 2009 será concluir a ascensão e instalar-se no top 200, onde procurar a adquirir alguma estabilidade e uma maior regularidade.

 

Principais feitos: Vitória no 10.000$ de Toluca (México). Final dos 25.000$ de Valladolid (Espanha) e San Luís Potosi (México). Meia-final de pares do torneio WTA de Bogota (Tier III) ao lado da italiana Sara Errani, melhor resultado de sempre para uma lusa na vertente de pares.

 
Magali de Lattre

No final da época de 2007, Magali implementou uma série de mudanças significativas na gestão da sua carreira, nomeadamente a cisão com o seu técnico Paulo Lucas e a partida para França, onde passou a ser orientada por Philipe Simon. Durante o 1º semestre deste ano, Magali esteve muito envolvida no campeonato Inter-clubes francês e só com a aproximação do Verão se começou a ver Magali a disputar com maior regularidade o circuito internacional. Neste, Magali optou por disputar uma série de torneios em localizações menos comuns, tais como a Síria, Cazaquistão e o Paquistão. Contudo, esta nova estratégia pareceu ter dado resultado e a lusa conquistou 3 torneios de 10.000$, o que lhe permitiu a subida ao 4º lugar da hierarquia nacional e a reentrada no top 550.

Para 2008 surge a dúvida sobre a estabilidade física de Magali, sempre algo débil e ainda o seu desempenho em torneios de categoria superior, nomeadamente eventos de 25.000$.

 

Principais feitos: Vitórias nos 10.000$ de Damascus (Síria), Casablanca (Marrocos) e Dubai (Emirados Árabes Unidos).

 
Maria João Koehler

A jovem portuense de 16 anos, pupila de Nuno Marques, conseguiu este ano afirmar-se como um dos grandes nomes do ténis nacional. A final do Masters de 2007 já antevia uma boa temporada e tal concretizou-se, apesar dos problemas físicos que afectaram o 1º semestre da atleta. Maria João disputou essencialmente os torneios ITF disputados em solo nacional, tendo obtido um aproveitamento bastante considerável e sendo em muitos deles a tenista nacional mais em foco. Exemplos disto mesmo são as meias-finais em Vila Real de Santo António e Porto e a final em Montemor. Com apenas 16 anos, Maria João entra no ranking WTA e termina logo bem inserida no top 800 mundial no ano da sua estreia.

A nível interno, tanto no campeonato nacional como no Masters atingiu as meias-finais e sagrou-se campeã de sub-18. Para 2009, espera-se um aumento da consistência nos resultados nos torneios ITF disputados em Portugal e porventura uma maior aposta em torneios ITF internacionais.

 

Principais feitos: Final no 10.000$ de Montemor. Meias-finais nos 10.000$ do Porto e Vila Real de Santo António. Campeã Nacional sub-18. Garantia de ranking mundial, a fechar a época bem colada ao top 750 mundial.

 
 
Leonardo Tavares

Apesar da temporada de Leonardo não ter sido um desastre, ficou um pouco aquém das expectativas e voltou a reforçar o seu nível inconstante, essencialmente provocado por crónicos problemas físicos. Salvou a época no 2º semestre após ter conquistado apenas 3(!) pontos durante a 1ª metade de temporada. Atingiu os quartos de final ou melhor em 6 eventos da categoria future dotados de 15.000$, o que lhe garantiu a recuperação do 3º posto nacional, que ao longo de vários meses esteve ocupado por Gastão Elias. Ainda assim, Leonardo não conseguiu revalidar o título do Porto Open, torneio que venceu na edição de 2007.

Leonardo voltou a demonstrar domínio absoluto no Masters ao conquistar o troféu pela 5ª vez. A final teve sabor especial pois permitiu-lhe vingar a derrota imposta por Rui Machado no Campeonato Nacional, num jogo no qual Tavares esteve bem aquém das expectativas.

Para 2009 anseia-se por mais estabilidade para o portuense, de modo a que este consiga definitivamente concretizar o valor que possui.

 

Principais feitos: Campeão do Masters-CIMA e vice-campeão nacional. Final do 15.000$ de Wahlstedt e meias-finais dos 15.000$ do Porto e Espinho.

 
João Sousa

A colocação de João Sousa nesta categoria pode parecer algo duvidosa se a sua época for analisada como um todo, no entanto o percurso do vimaranense ao longo do ano revela algumas dificuldades. Sousa foi responsável por um dos melhores momentos nacionais do ano, ao conseguir a qualificação para o Estoril Open e o apuramento para a 2ª ronda do quadro principal, onde acabou por ceder diante do nº 1 nacional, Frederico Gil. Sousa foi mesmo galardoado com o prémio de revelação do evento. Essa bela exibição surgiu na sequência de um excelente início de temporada no qual Sousa atingiu os quartos de final de futures de 10.000$ por duas vezes e as meias-finais por uma vez. O português radicado em Espanha, que tinha concluído 2007 na 966ª posição ATP, surgia em plena ascensão. No entanto, os resultados a partir daí foram bastante modestos e o luso apenas por uma vez conseguiu atingir os quartos de final de um future, tendo perdido na ronda inaugural por 10 ocasiões.

Sousa termina o ano na cauda do top 600, o que representa uma subida de praticamente 400 posições, contudo a conquista de apenas 8 pontos ao longo do 2º semestre de 2008 e o facto de que, se os pontos obtidos no Estoril Open forem removidos, Sousa permanece com a mesma pontuação que possuía no final do ano passado, revelam que o português poderá ter neste momento um ranking algo inflacionado.

Em 2009 espera-se que o vimaranense volte ao nível que apresentou no Estoril Open, onde chegou mesmo a bater dois jogadores do top 200, contudo é importante que a pressão para que tal aconteça não condicione os seus desempenhos, de modo a conseguir, pelo menos, manter a sua posição na tabela ATP.

 

Principais feitos: 2ª ronda do Estoril Open após qualificação. Meias-finais do 10.000$ de Torre-Pacheco, em Espanha.

 
 
Gastão Elias

O jovem luso, a par de Michelle Brito, é o jogador português de quem se espera mais no futuro. Talento é inegável, no entanto, enquanto Michelle parece ter arrancado definitivamente para uma carreira dentro daquilo que se espera dela, Gastão ainda parece preso num patamar que não o seu. Concluiu a temporada de 2007 na 631ª posição ATP e terminará o ano de 2008 apenas ligeiramente acima, por volta da posição 575. Ao longo deste ano, já esteve no 460º lugar, o seu melhor de sempre.

A opção de Gastão em disputar qualificações para eventos de categoria challenger e abandonar os quadros de futures (apenas jogou torneios deste nível em Janeiro, tendo sido campeão em Boca Raton) foi óbvia, contudo não muito bem sucedida, pelo menos por enquanto. Gastão jogou 25 torneios ao longo ano, apenas pontuou em 4(!), dois deles em futures. Em 16 challengers, não conseguiu qualquer ponto. O seu melhor resultado foi obtido em Mocton, onde atingiu as meias-finais.

O jovem português atrasou-se relativamente aos seus adversários da mesma geração e tem em 2009 o desafio de recuperar tempo perdido. Em Janeiro, tem já o enorme desafio de defender 13 dos seus 41 pontos totais, que a caírem colocarão Gastão numa posição ainda mais difícil. Por outro lado, a quase completa ausência de pontos a defender durante a maior parte das semanas poderá levar a uma subida meteórica, caso o português consiga combinar os desejados níveis de confiança com o seu ténis completo.

 

Principais feitos: Meias-finais do 35.000$ de Moncton (Canadá), vindo da qualificação. Campeão do 10.000$ de Boca Raton, nos Estados Unidos.

 
Catarina Ferreira

A jogadora do CETO teve em 2008 uma temporada bem aquém das expectativas. Em 2007, Catarina Ferreira terminou o ano inserida no top 500 mundial e naquilo que parecia um crescendo de nível de jogo e competitividade. Este ano, a lusa teve uma época péssima onde não conseguiu conquistar sequer metade dos pontos que obteve em 2007. A razão de vitórias/derrotas de 16/25 é bem indicadora disso mesmo. O melhor resultado de Ferreira chegou já em Outubro, ao atingir as meias-finais do 10.000$ de Vila Real de Santo António. Antes, só por 3 vezes tinha atingido os quartos de final e sempre em Portugal – Albufeira, Amarante e Lisboa – e perdeu por 11 ocasiões na ronda inaugural de outros eventos de 10.000$. Os maus resultados relegaram-na para a cauda do top 700, tendo sido ultrapassada por Magali de Lattre na hierarquia nacional e sendo já ameaçada por Maria João Koehler. A vertente de pares salvou a temporada de Catarina Ferreira, que arrecadou três títulos internacionais.

Para o próximo ano espera-se que Catarina Ferreira regresse pelo menos ao nível de há um ano atrás e que possa atingir algum sucesso nos eventos de 10.000$.

 

Principais feitos: Meias-finais do 10.000$ de Vila Real de Santo António. Quartos de final nos 10.000$ de Albufeira, Amarante e Lisboa. Campeã de pares nos 10.000$ de Casale (Itália), Espinho e Maiorca (Espanha).

 

Texto e escolhas: Vítor Espírito Santo

 

Comentário Final

Para além dos jogadores acima referidos, outros nomes também mereceram algum destaque. Ana Catarina Nogueira, provavelmente no seu último ano como semi-profissional, conseguiu mostrar que ainda é uma das melhores jogadoras nacionais. Joana Pangaio recuperou ranking internacional, estando agora inserida no top 1000 mundial. Destaque ainda para a estreia de Miguel Almeida e Gonçalo Falcão no ranking ATP, graças a alguns resultados interessantes em futures. Será interessante avaliar como se comportarão estes jogadores ao longo da próxima época. Pedro Sousa mantém o seu futuro incerto, contudo o tempo não pára e o ainda jovem jogador parece ficar irremediavelmente afastado de um futuro promissor. Tal cenário também parece suceder com Martim Trueva. Embora muito jovem, o madeirense continua com um futuro algo incerto e nos dois últimos anos verificou-se alguma estagnação. Quem também sentiu algumas dificuldades foi Demi Rodrigues, que ao longo do ano entrou em vários torneios de 10.000$, sem grande sucesso. No entanto, parece haver alguma evolução e a experiência adquirida poderá ser importante na próxima temporada. Hugo Anão manteve o seu domínio no circuito nacional e no Masters-CIMA chegou mesmo a assustar tanto Leonardo Tavares como Rui Machado.

Das promessas mais jovens, Patrícia Martins e Francisco Dias estiveram em grande nível, especialmente a primeira, que se classificou no 3º lugar do Masters Europeu de sub-14. Francisco Dias dominou a seu belo prazer nas categorias de sub-16 e sub-18. Bárbara Luz teve um ano complicado, com alguma instabilidade relativamente à direcção técnica e não conseguiu a progressão desejada. Ainda assim, sagrou-se campeã nacional de sub-16.

 

Dados Estatísticos

Nas três tabelas seguintes podem encontrar os dados relativos aos jogadores portugueses mais em foco ao longo desta temporada. Nesta lista o número total de pontos num determinado período (semestre ou ano), o número e nível de títulos conquistados e ainda a razão entre vitórias e derrotas são compilados.

 

Jogadores

1º semestre 2008

2º semestre 2008

Pontos

Títulos

V/D

Pontos

Títulos

V/D

Michelle L. Brito 69 - 4-6 187 - 13-7

Neuza Silva

70 1 - 10k 21/15 139 2 - 25k 25-10
Frederica Piedade 50 1 - 10k 31-16 108 - 25-14
Catarina Ferreira 9 - 9-14 7 - 7-11
Maria João Koehler 7 F - 10k 12-5 7 - 6-7
Magali de Lattre 6 - 7-9 20 2 - 10K 16-8

Frederico Gil 264 1 - CH 27-12 165 1 CH 100k 16-10
Rui Machado 120 6 - Fut 46-8 163 - 20-12
João Sousa 32 - 36-15 8 - 8-16
Gastão Elias 15 1 - Fut 16-12 26 F - Fut 13-14
Leonardo Tavares 3 - 5-7 41 - 22-12

resultados obtidos entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2008

Legenda: 10k - 10.000$; F - Finalista; CH - Challengers; Fut - Futures.

 

Através destes resultados, pode observar-se rapidamente que, por exemplo, as três melhores jogadoras lusas da actualidade tiveram um 2º semestre de 2008 bem superior ao 1º, tendo todas elas, pelo menos, obtido a partir de Julho o dobro da pontuação conquistada ao longo dos 6 primeiros meses de 2008. Por outro lado, na vertente masculina é possível observar como Frederico Gil e João Sousa tiveram uma primeira metade do ano bem mais forte do que a segunda, ao contrário de Leonardo Tavares que conquistou 41 dos seus 44 pontos nos últimos 6 meses.

A segunda tabela compara os resultados do 2º semestre de 2007 com o 2º semestre deste ano e pode verificar-se que praticamente todos os jogadores nacionais, com excepção de Catarina Ferreira e João Sousa, melhoraram o seu desempenho em 2008.

 

Jogadores

2º semestre 2007

2º semestre 2008

Pontos

Títulos

V/D

Pontos

Títulos

V/D

Michelle L. Brito 53 1 - 25k 10-7 187 - 13-7

Neuza Silva

78 - 12-10 139 2 - 25k 25-10
Frederica Piedade 65 - 15-13 108 - 25-14
Catarina Ferreira 26 - 15-14 7 - 7-11
Maria João Koehler 1 - 3-3 7 - 6-7
Magali de Lattre 11 - 12-14 20 2 - 10K 16-8

Frederico Gil 162 1 - CH 50k 18-9 165 1 CH 100k 16-10
Rui Machado 20 - 14-11 163 - 20-12
João Sousa 15 - 23-13 8 - 8-16
Gastão Elias 18 1 - Fut 11-4 26 - 13-14
Leonardo Tavares 36 1 - Fut 21-14 41 - 22-12
 

A terceira tabela estabelece a comparação entre os valores de cada jogador em toda a temporada de 2007 e os valores da época de 2008. Desde logo verifica-se uma diferença abismal na temporada de Rui Machado, que passa de 21 pontos conquistados em 2007 para 281 durante este ano. Machado chega mesmo às 65 vitórias, destacadamente o maior número de vitórias para qualquer jogador luso. A única ameaça surge mesmo de Frederica Piedade, que venceu por 56 vezes ao longo de 2008. Dos jogadores indicados na tabela, apenas Catarina Ferreira surge com uma razão vitórias/derrotas negativa este ano (16/25). Já em 2007 tal sucedeu, contudo no ano passado a relação foi bem mais interessante para a jogadora (27/31).

 

Jogadores

Ano 2007

Ano 2008

Pontos

Títulos

V/D

Pontos

Títulos

V/D

Michelle L. Brito 84 - 11-9 256 - 46-25

Neuza Silva

153 1 - 25k; 2- 10k 53-24 209 2 - 25k; 1- 10k 18-13
Frederica Piedade 89 - 23-24 158 1 - 10k 56-30
Catarina Ferreira 38 - 27-31 16 - 16-25
Maria João Koehler 2 - 4-7 14 - 28-12
Magali de Lattre 18 - 20-22 26 3 - 10K 23-17

Frederico Gil 302 1 - CH 50k 40-27 465 2 CH 35k, 100k 45-23
Rui Machado 21 - 17-14 281 6 – Fut (1 de 15k) 65-20
João Sousa 20 - 35-21 40 - 44-31
Gastão Elias 29 1 - Fut 22-12 41 1 - Fut 27-24
Leonardo Tavares 49 1 - Fut 39-23 44 - 26-19
 

O número total de títulos em 2008 aumentou bastante para as hostes nacionais comparativamente com o ano anterior. Se em 2007, por 6 ocasiões portugueses venceram um troféu, ao longo deste ano o número de títulos ascendeu a 16, sendo que Gil arrecadou mesmo um Challenger de 100.000$, o seu maior título e também o melhor troféu do ano para qualquer jogador luso.

 
Lista Completa

Ases

Michelle Brito
Frederico Gil
Rui Machado
Neuza Silva
 
1º Serviço
Frederica Piedade
Magali de Lattre
Maria João Koehler
 
2º Serviço
Leonardo Tavares
João Sousa
 
Duplas-Faltas
Gastão Elias
Catarina Ferreira