Luso Ténis
 

Court & Costura
por Hugo Ribeiro
 
13º Artigo - Especial Vale do Lobo Grand Champions 2006
12 de Agosto de 2006


Organização positiva

Foi com uma enorme surpresa que ouvi o actual presidente da FPT declarar, durante a conferência de Imprensa de apresentação do Masters FPT/CIMA, que «não é nossa vocação organizar provas, (…) temos coisas mais importantes para fazer, (…) mas fazemo-lo com entusiasmo».

Numa análise algo superficial a um primeiro ano de mandato, José Corrêa de Sampaio tem denotado alguns aspectos positivos, designadamente, marcar presença nos momentos mais importantes do ano para o ténis nacional; gerir bem a sua imagem de personalidade máxima do ténis no nosso país, não alimentando “guerras” com os seus críticos nem se desgastando nelas; e saber delegar funções na sua equipa e confiar nela, como, por exemplo, quando transmitiu importante confiança política ao Director-técnico nacional, atacado em várias frentes.

O ano não foi nada mau em termos desportivos, com resultados que nos orgulharam na Taça Davis, na Fed Cup e no Campeonato da Europa, para além de “brilharetes” individuais, principalmente de Neuza Silva e Frederico Gil, que, se é certo, se devem exclusivamente ao trabalho dos jogadores, seus treinadores e apoiantes, não deixam de se reflectir positivamente na imagem externa da FPT.

A forma rápida e pronta como a FPT foi capaz de montar o Circuito FPT/CIMA, angariando um patrocinador de peso, para não deixar cair o ténis nacional num marasmo – depois da João Lagos Sports não ter podido manter o excelente trabalho efectuado entre 1995 e 2005, devido ao afastamento da TMN – veio a cotar-se como grande obra, ou, pelo menos, a mais visível da Direcção e do Departamento Técnico em 2006.

Já era jornalista de ténis quando a FPT aceitou uma parceria que levou à organização do famoso Open de Portugal de 1983, cuja final, ganha por Mats Wilander a Yannick Noah, perdura na memória.

Desde essa altura que defendo que a FPT deveria ter um grande torneio, uma prova bandeira, que funcionasse como a sua montra e como uma fonte de receita, como sucede com Roland Garros, US Open, Masters Series de Hamburgo e tantos outros eventos pertencentes às Federações nacionais.

Em 2005 e 2006 fui responsável pelo Gabinete de Imprensa do Open de Portugal, em golfe, e embora a FPG tenha decidido entregar a organização e comercialização do torneio a promotores privados, não deixou de receber uma verba significativa por esse “aluguer”, ao mesmo tempo que desfrutou sempre da posição institucional de “proprietária” do torneio.

É por essa razão que não posso concordar com José Corrêa de Sampaio neste ponto: a FPT deve ter a vocação de organizar provas e seria óptimo que tivesse tido a visão histórica de fazê-lo atempadamente. Agora, já é tarde em termos internacionais, uma vez que a João Lagos Sports já traz a Portugal o Circuito ATP e o Sony Ericsson WTA Tour, enquanto a Premier Sports de Pedro Frazão “importa” o Merrill Lynch ATP Tour of Champions.

No entanto, o mercado interno está-lhe agora aberto e deverá tirar partido disso, sobretudo no Campeonato Nacional Absoluto e no Masters FPT/CIMA.

Devo confessar que a fraca promoção do Masters FPT/CIMA nas semanas que o antecederam fizeram-me temer o pior. A fasquia da organização da João Lagos Sports era muito alta e há alguns anos que a FPT andava algo “enferrujada” depois de ter entregue a organização das suas principais provas aos clubes – uma iniciativa que na altura apoiei pela necessidade de cortar despesas na FPT.

No entanto, é com genuíno prazer que posso testemunhar o trabalho muito positivo que toda a equipa federativa está a fazer neste Masters FPT/CIMA. O pavilhão da Quinta dos Lombos só necessita de encher-se de público, porque, de resto, revelou-se um excelente palco para o evento. O ‘court’ está com uma decoração linda, as salas de jogadores, de arbitragem e de Imprensa respondem cabalmente às exigências e o conforto para os espectadores é muito superior ao que se tinha vivido em anos anteriores no CIF e no Complexo de Ténis de Espinho.

O grande aspecto negativo é o facto de não haver um ‘court’ de treino. A ideia de revestir o campo do Hotel Amazónia com o mesmo piso foi preciosa, mas as condições climatéricas não têm ajudado. Mesmo em Dezembro, não é habitual termos uma semana inteira com este clima tempestuoso que tem limitado as opções de treino dos jogadores.

Não fosse esta lacuna – que não é de somenos importância – e arriscaria a dizer que o Masters FPT/CIMA tinha elevado o torneio a um patamar organizativo superior ao do seu antepassado Masters TMN. A FPT pode orgulhar-se do seu trabalho.

 

 


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