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Organização positiva
Foi com uma
enorme surpresa que ouvi o actual presidente
da FPT declarar, durante a conferência de
Imprensa de apresentação do Masters FPT/CIMA,
que «não é nossa vocação organizar provas,
(…) temos coisas mais importantes para
fazer, (…) mas fazemo-lo com entusiasmo».
Numa análise algo superficial a um primeiro
ano de mandato, José Corrêa de Sampaio tem
denotado alguns aspectos positivos,
designadamente, marcar presença nos momentos
mais importantes do ano para o ténis
nacional; gerir bem a sua imagem de
personalidade máxima do ténis no nosso país,
não alimentando “guerras” com os seus
críticos nem se desgastando nelas; e saber
delegar funções na sua equipa e confiar
nela, como, por exemplo, quando transmitiu
importante confiança política ao
Director-técnico nacional, atacado em várias
frentes.
O ano não foi nada mau em termos
desportivos, com resultados que nos
orgulharam na Taça Davis, na Fed Cup e no
Campeonato da Europa, para além de
“brilharetes” individuais, principalmente de
Neuza Silva e Frederico Gil, que, se é
certo, se devem exclusivamente ao trabalho
dos jogadores, seus treinadores e apoiantes,
não deixam de se reflectir positivamente na
imagem externa da FPT.
A forma rápida e pronta como a FPT foi capaz
de montar o Circuito FPT/CIMA, angariando um
patrocinador de peso, para não deixar cair o
ténis nacional num marasmo – depois da João
Lagos Sports não ter podido manter o
excelente trabalho efectuado entre 1995 e
2005, devido ao afastamento da TMN – veio a
cotar-se como grande obra, ou, pelo menos, a
mais visível da Direcção e do Departamento
Técnico em 2006.
Já era jornalista de ténis quando a FPT
aceitou uma parceria que levou à organização
do famoso Open de Portugal de 1983, cuja
final, ganha por Mats Wilander a Yannick
Noah, perdura na memória.
Desde essa altura que defendo que a FPT
deveria ter um grande torneio, uma prova
bandeira, que funcionasse como a sua montra
e como uma fonte de receita, como sucede com
Roland Garros, US Open, Masters Series de
Hamburgo e tantos outros eventos
pertencentes às Federações nacionais.
Em 2005 e 2006 fui responsável pelo Gabinete
de Imprensa do Open de Portugal, em golfe, e
embora a FPG tenha decidido entregar a
organização e comercialização do torneio a
promotores privados, não deixou de receber
uma verba significativa por esse “aluguer”,
ao mesmo tempo que desfrutou sempre da
posição institucional de “proprietária” do
torneio.
É por essa razão que não posso concordar com
José Corrêa de Sampaio neste ponto: a FPT
deve ter a vocação de organizar provas e
seria óptimo que tivesse tido a visão
histórica de fazê-lo atempadamente. Agora,
já é tarde em termos internacionais, uma vez
que a João Lagos Sports já traz a Portugal o
Circuito ATP e o Sony Ericsson WTA Tour,
enquanto a Premier Sports de Pedro Frazão
“importa” o Merrill Lynch ATP Tour of
Champions.
No entanto, o mercado interno está-lhe agora
aberto e deverá tirar partido disso,
sobretudo no Campeonato Nacional Absoluto e
no Masters FPT/CIMA.
Devo confessar que a fraca promoção do
Masters FPT/CIMA nas semanas que o
antecederam fizeram-me temer o pior. A
fasquia da organização da João Lagos Sports
era muito alta e há alguns anos que a FPT
andava algo “enferrujada” depois de ter
entregue a organização das suas principais
provas aos clubes – uma iniciativa que na
altura apoiei pela necessidade de cortar
despesas na FPT.
No entanto, é com genuíno prazer que posso
testemunhar o trabalho muito positivo que
toda a equipa federativa está a fazer neste
Masters FPT/CIMA. O pavilhão da Quinta dos
Lombos só necessita de encher-se de público,
porque, de resto, revelou-se um excelente
palco para o evento. O ‘court’ está com uma
decoração linda, as salas de jogadores, de
arbitragem e de Imprensa respondem
cabalmente às exigências e o conforto para
os espectadores é muito superior ao que se
tinha vivido em anos anteriores no CIF e no
Complexo de Ténis de Espinho.
O grande aspecto negativo é o facto de não
haver um ‘court’ de treino. A ideia de
revestir o campo do Hotel Amazónia com o
mesmo piso foi preciosa, mas as condições
climatéricas não têm ajudado. Mesmo em
Dezembro, não é habitual termos uma semana
inteira com este clima tempestuoso que tem
limitado as opções de treino dos jogadores.
Não fosse esta lacuna – que não é de somenos
importância – e arriscaria a dizer que o
Masters FPT/CIMA tinha elevado o torneio a
um patamar organizativo superior ao do seu
antepassado Masters TMN. A FPT pode
orgulhar-se do seu trabalho.
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