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CARLOS AO QUADRADO
Deambulando
pela praça central do Estoril Open,
deparei-me com Carlos Ramos, um dos melhores
árbitros de ténis do Mundo, que actualmente
trabalha para a Federação Internacional de
Ténis (ITF), sendo convocado para actuar nos
quatro torneios do Grand Slam, na Taça Davis
e na Taça Federação.
No ano
passado, arbitrou a final feminina do
Estoril Open, depois de tê-lo feito na
masculina em 1998. Nos últimos anos, tem
dirigido, igualmente, vários duelos no Vale
do Lobo Grand Champions Millennium BCP,
incluindo finais.
Em 2006 não
regressará ao Algarve, «com muita pena»,
como me garantiu, por uma razão mais do que
aceitável. No Circuito Mundial de Veteranos,
o Merrill Lynch ATP Tour of Champions, as
regras são aplicadas com mais suavidade. Só
competem antigos nº1 do ‘ranking’ mundial,
ex-campeões de torneios do Grand Slam ou da
Taça Davis, e ninguém quer ver estrelas
desta grandeza expulsas.
Ora, para um
árbitro que, ao longo do ano, pisa os
principais palcos da modalidade e tem de ser
implacável no cumprimento das regras,
torna-se difícil assumir uma atitude mais
permissiva, diante de “monstros sagrados das
raquetas” que, noutras ocasiões, assumem
papéis diferentes, mas que, na Vale do Lobo
Tennis Academy, jogam, brincam, gozam,
barafustam e esticam as regras a um limite
inimaginável noutros circuitos.
John McEnroe é
o mais conceituado comentador televisivo do
Mundo, Jim Courier também fala na televisão,
Emílio Sanchez e Mats Wilander são capitães
da Taça Davis, e poderíamos continuar a
debitar exemplos. Ramos tem de “dar-se ao
respeito” diante destes veteranos que irão
avaliar as suas actuações em circunstâncias
diferentes ao longo do ano. Por isso, embora
ninguém o tenha proibido, fizeram-lhe ver
que estava a arriscar muito. Nenhum dos
outros árbitros ‘full-time’ da ITF actua no
Merrill Lynch ATP Tour of Champions e Ramos
irá seguir-lhes o exemplo.
O Estoril Open
é, por isso, agora, o único torneio onde os
portugueses poderão ver em acção Carlos
Ramos (residente em França), um dos mais
talentosos juízes de cadeira que já vi na
minha carreira. Tal como entre os jogadores,
também entre os árbitros há uns mais
talentosos que outros, há uns mais
trabalhadores que outros. O Carlos foi
daqueles para quem a arbitragem surgiu quase
de forma inata. Parece ter nascido para a
função.
O outro Carlos
da arbitragem portuguesa, o Sanches, seguiu
um percurso diferente. Não que fosse mau
árbitro de cadeira – chegou a arbitrar a
final do Estoril Open em 1993 –, mas sempre
teve a correcta percepção que, para atingir
o nível superior, precisaria de muito
trabalho e alguma sorte. Em contrapartida,
possui, desde jovem, aptidões perfeitas para
as tarefas de juiz-árbitro e de supervisor.
Investiu nessa
área e foi recompensado, pertencendo à elite
do Circuito ATP. Este ano, fez história, ao
tornar-se no primeiro supervisor ATP do
Estoril Open de nacionalidade portuguesa,
mesmo se possui residências em Viena e
Andorra.
«Por um lado, é claro que é só mais um
torneio, como outros tantos que faço ao
longo da época, mas, por outro, é evidente
que é muito especial. Foi aqui que quase
tudo começou, é um torneio onde conheço
quase toda a gente e foi com um enorme
prazer que reencontrei este ano muitas
pessoas que já não via há muito tempo»,
disse-me hoje aquele que, há cerca de 15
anos, era um autêntico símbolo sexual nos
torneios femininos que a João Lagos Sports
organizava no nosso país.
É uma pena que
o trabalho de supervisor seja invisível aos
olhos do público, pois o Carlos Sanches é um
“craque” naquele escritório donde controla
todo o torneio masculino.
Quando o
Estoril Open começou, em 1990, só havia um
grande nome português na arbitragem mundial
– Jorge Dias, ainda hoje considerado o
melhor árbitro português de todos os tempos.
Os seus sucessores, os dois Carlos, cada um
à sua maneira, atingiram o topo da
hierarquia na profissão que escolheram.
Mas também
eles já têm seguidores e foi com enorme gozo
que ontem, ao dirigir-me às instalações dos
árbitros da ATP e do WTA Tour, deparei com
quase mais uma dezena de representantes
nacionais, alguns com credenciais
apreciáveis, como Mariana Alves, Rogério
Santos, outros com um passado de prestígio
como Paulo Oliveira, e mais alguns, jovens,
com muitos sonhos à sua frente. Na
arbitragem, o ténis português continua com
futuro à vista.
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