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A REVOLTA DOS
CAMPEÕES
Em 1990, logo
no ano em que nasceu, o Estoril Open viu
quatro dos oito cabeças-de-série serem
eliminados na primeira ronda e essa sina
acabaria por fixar-se como uma das suas
tradições.
Salvo raras
excepções o principal torneio de ténis
português assistia a eliminações precoces de
muitos dos seus favoritos e os jornalistas
portugueses habituaram-se a ouvir sempre a
mesma lenga-lenga por parte dos
cabeças-de-cartaz.
«É o primeiro torneio de terra batida do
ano, não estamos habituados a estas
condições de jogo e precisamos de mais
rodagem». Com mais ou menos detalhe, era
aquela explicação que ouvíamos por parte dos
muitos craques que iam ficando pelo caminho.
Essa foi uma
das razões que levou o Estoril Open a ser
considerado uma rampa de lançamento de novos
valores. Jogadores como Sergi Bruguera,
Carlos Costa, Andrei Medvedev, Alex Corretja,
Juan Carlos Ferrero, David Nalbandian e
Nikolay Davidenko triunfaram no Jamor quando
ainda estavam longe de atingir a fama que
posteriormente viriam a conhecer.
Emílio Sanchez,
Thomas Muster, Alberto Berasategui, Carlos
Moyá, Juan Ignacio Chela e Gaston Gaudio
foram os únicos a impor-se no Estádio
Nacional como campeões consagrados.
Note-se, no
entanto, que Moyá ganhou em 2000, Chela em
2004 e Gaudio em 2005, ou seja, depois da
reestruturação do calendário do Circuito ATP
no final de 1999, que veio beneficiar o
Estoril Open.
Até 1999, eram
escassos ou nulos os torneios de terra
batida ocre (não conto aqui com a terra
batida verde, americana, de características
bem diferentes) que antecediam o Estoril
Open. Só o torneio da Cidade do México,
jogado em condições distintas, devido à
altitude, figurava por vezes no calendário.
A partir de
2000, inclusive, a ATP criou um
mini-circuito de terra batida na América
Central e do Sul, em Fevereiro e Março,
permitindo a alguns jogadores rodarem antes
de viajarem a Portugal. Foi por isso que o
‘slogan’ da João Lagos Sports mudou, a dada
altura, de «a abertura da época de terra
batida» para «a abertura da época europeia
da terra batida».
Nos últimos
anos, João Lagos lutou – e bem, como já
expliquei numa crónica anterior – pela
mudança de data do Estoril Open,
aproximando-o o mais possível de Roland
Garros. Este ano, o nosso Open até se deu ao
luxo de se realizar depois de Monte Carlo e
Barcelona e os resultados estão à vista.
Em 2006, havia
à partida quatro campeões de primeira
grandeza: Marat Safin, Carlos Moyá, David
Nalbandian e Nikolay Davidenko. Dos quatro,
só um – Safin – não atingiu as meias-finais
e mesmo assim será legítimo pensar que o
russo ex-nº1 mundial poderia ter ido mais
longe se não tivesse calhado com o seu
compatriota Davidenko logo na segunda ronda.
A partir do
momento em que Nalbandian se qualificou para
a final, pouco importava o resultado da
outra meia-final. O 17º Estoril Open iria
sempre ter uma final de sonho, ganhasse Moyá
ou Davidenko.
Com o sucesso
de Davidenko o título será decidido entre os
dois primeiros cabeças-de-série que, ainda
por cima, são dois membros do ‘top-ten’ do
‘ranking’ mundial e dois antigos campeões da
prova.
Com a mudança
de data, a tradição já não é o que era no
Estoril Open e isso é positivo – é sinal que
as eliminações precoces de nomes sonantes
são cada vez menos frequentes e que os
grandes campeões têm mais hipóteses de
mostrar aquilo que valem ao público
português.
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