Luso Ténis
 

Court & Costura
por Hugo Ribeiro
 
5º Artigo - Especial Estoril Open 2006
Sábado, 6 de Maio de 2006


A REVOLTA DOS CAMPEÕES

Em 1990, logo no ano em que nasceu, o Estoril Open viu quatro dos oito cabeças-de-série serem eliminados na primeira ronda e essa sina acabaria por fixar-se como uma das suas tradições.

Salvo raras excepções o principal torneio de ténis português assistia a eliminações precoces de muitos dos seus favoritos e os jornalistas portugueses habituaram-se a ouvir sempre a mesma lenga-lenga por parte dos cabeças-de-cartaz.
«É o primeiro torneio de terra batida do ano, não estamos habituados a estas condições de jogo e precisamos de mais rodagem». Com mais ou menos detalhe, era aquela explicação que ouvíamos por parte dos muitos craques que iam ficando pelo caminho.

Essa foi uma das razões que levou o Estoril Open a ser considerado uma rampa de lançamento de novos valores. Jogadores como Sergi Bruguera, Carlos Costa, Andrei Medvedev, Alex Corretja, Juan Carlos Ferrero, David Nalbandian e Nikolay Davidenko triunfaram no Jamor quando ainda estavam longe de atingir a fama que posteriormente viriam a conhecer.

Emílio Sanchez, Thomas Muster, Alberto Berasategui, Carlos Moyá, Juan Ignacio Chela e Gaston Gaudio foram os únicos a impor-se no Estádio Nacional como campeões consagrados.

Note-se, no entanto, que Moyá ganhou em 2000, Chela em 2004 e Gaudio em 2005, ou seja, depois da reestruturação do calendário do Circuito ATP no final de 1999, que veio beneficiar o Estoril Open.

Até 1999, eram escassos ou nulos os torneios de terra batida ocre (não conto aqui com a terra batida verde, americana, de características bem diferentes) que antecediam o Estoril Open. Só o torneio da Cidade do México, jogado em condições distintas, devido à altitude, figurava por vezes no calendário.

A partir de 2000, inclusive, a ATP criou um mini-circuito de terra batida na América Central e do Sul, em Fevereiro e Março, permitindo a alguns jogadores rodarem antes de viajarem a Portugal. Foi por isso que o ‘slogan’ da João Lagos Sports mudou, a dada altura, de «a abertura da época de terra batida» para «a abertura da época europeia da terra batida».

Nos últimos anos, João Lagos lutou – e bem, como já expliquei numa crónica anterior – pela mudança de data do Estoril Open, aproximando-o o mais possível de Roland Garros. Este ano, o nosso Open até se deu ao luxo de se realizar depois de Monte Carlo e Barcelona e os resultados estão à vista.

Em 2006, havia à partida quatro campeões de primeira grandeza: Marat Safin, Carlos Moyá, David Nalbandian e Nikolay Davidenko. Dos quatro, só um – Safin – não atingiu as meias-finais e mesmo assim será legítimo pensar que o russo ex-nº1 mundial poderia ter ido mais longe se não tivesse calhado com o seu compatriota Davidenko logo na segunda ronda.

A partir do momento em que Nalbandian se qualificou para a final, pouco importava o resultado da outra meia-final. O 17º Estoril Open iria sempre ter uma final de sonho, ganhasse Moyá ou Davidenko.

Com o sucesso de Davidenko o título será decidido entre os dois primeiros cabeças-de-série que, ainda por cima, são dois membros do ‘top-ten’ do ‘ranking’ mundial e dois antigos campeões da prova.

Com a mudança de data, a tradição já não é o que era no Estoril Open e isso é positivo – é sinal que as eliminações precoces de nomes sonantes são cada vez menos frequentes e que os grandes campeões têm mais hipóteses de mostrar aquilo que valem ao público português.

 

 

 


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