As apresentações do Estoril Open deixaram de ser meras
conferências de Imprensa. São espectáculos mediáticos para os quais os
jornalistas são apenas mais um dos elementos da assistência.
João Lagos deveria, no futuro, divulgá-las publicamente e
abri-las a qualquer adepto do ténis que desejasse fazer parte da anual festa de
abertura do principal torneio de ténis português.
A apresentação do 20º Estoril Open, na passada quarta-feira,
foi uma manifestação de vitalidade de uma João Lagos Sports que se recusa a
morrer, apesar da grave crise em que se vê envolvida – e o presidente da
empresa não tem escondido essa realidade junto de alguns media especializados
em economia, embora anteontem tenha frisado que o Estoril Open nunca esteve em perigo.
Desde o bonito e dinâmico cartaz da prova de 2009, até ao palco
escolhido (o anfitiatro da TMN), passando pelo telefonema para Miami para
conversar em directo com Frederico Gil; pela consolidação da ‘griffe’ Estoril
Open em artigos de luxo (com o lançamento de edições limitadas de um relógio da
Baume & Mercier e de um sub-modelo do EOS da Volkswagen); e pela estreia da
Rádio Estoril Open online (um conceito que se encontra nos torneios do Grand
Slam e pouco mais); tudo foi pensado ao pormenor para encher os olhos da
assistência.
Mesmo os mais sisudos, que não apreciam estas
extravagâncias, tiveram de reconhecer que o que mais importa para o público e
media, ou seja, os jogadores são de excelente qualidade. Mais dos que os nomes,
é o tipo de ténis que praticam.
Os indefectíveis que não perdem pitada dos três primeiros
dias do torneio (os melhores), apanharão uma barrigada de estratégias defensiva,
atacante, ofensiva do fundo do ‘court’, criativa, enfim, há-o para todos os
gostos!
João Lagos disse que não é a melhor lista de inscritos de
sempre. Fica-lhe bem a sinceridade, mas está muito perto do melhor e é digna da
celebração de duas décadas de Estoril Open. Que venham outras tantas.
A
vitória de Leonardo Tavares no Albufeira Future veio em boa hora. Foi o segundo
título internacional do treinando de Nuno Marques e veio mostrar que o ténis
português masculino não está limitado a Frederico Gil e Rui Machado. Leo tem um
historial de lesões e doenças. Suspeito que algumas das maleitas chegam a ser
do foro psicossomático e mereceriam um estudo mais aprofundado pois têm-no
impedido de atingir o enorme potencial que todos lhe reconhecem.
Após boas prestações em Fevereiro, nos torneios de Vale do Lobo, Montechoro e Portimão, Maria João Koehler voltou a brilhar, desta feita em Las Palmas, num 25 mil dólares em que só perdeu nos oitavos-de-final depois de passar a fase de qualificação. Mas é claro que a semana pertence a Frederico Gil, com mais dois recordes nacionais, o 76º posto no ‘ranking’ mundial e ser o primeiro luso a passar o ‘qualifying’ em Key Biscayne (Miami), “apenas” o sexto torneio mais importante do Mundo, depois dos quatro do Grand Slam e do Masters.
CONTRATAÇÕES Richard Gasquet junta-se a Blake, Davydenko e
Nalbandian na 20ª edição da prova
Em cada dez anos, há um momento em que se reúnem no
’top-ten’ mundial nomes que perdurarão na história da modalidade. O Masters é o
melhor barómetro desta realidade peculiar.
Em 1970, em Tóquio, só seis jogaram o Masters: Rod Laver,
Ken Rosewall, Stan Smith, Arthur Ashe, Zeljko Franulovic e Jan Kodes.
Em 1980, em
Nova Iorque, os oito mestres foram Bjorn Borg, John McEnroe,
Jimmy Connors, Guillermo Vilas, Ivan Lendl, Harold Solomon, Gene Mayer e José
Luis Clerc.
Em 1990, em Frankfurt, brilharam Pete Sampras, Andre Agassi,
Stefan Edberg, Boris Becker, Ivan Lendl, Thomas Muster, Andres Gomez e Emilio
Sanchez.
Em 2000, na saudosa edição de Lisboa, o Pavilhão Atlântico
atraiu Pete Sampras, Andre Agassi, Lleyton Hewitt, Marat Safin, Gustavo
Kuerten, Yevgeny Kafelnikov, Magnus Norman e Alex Corretja.
Faço notar que em 1970 só Kodes acabaria por nunca ganhar
qualquer torneio do Grand Slam e Lisboa contou com seis jogadores que foram nº1
do Mundo, um recorde impressionante!
Quase dez anos depois, o ‘top-ten’ mundial é incomparavelmente
mais triste. Rafael Nadal e Roger Federer integram o restrito grupo dos
melhores de sempre e destoam. Novak Djokovic e Andy Roddick já ganharam
‘majors’ e o americano até foi nº1 mundial. Pelo que, se tem visto nos últimos
tempos, Andy Murray promete. Mas, convenhamos, estamos longe dos grupos de
1970, 1980, 1990 e 2000.
A base de recrutamento de torneios da categoria ATP World
Tour 250 como o Estoril Open é escassa em termos qualitativos. Deve-se, por
isso, elogiar João Lagos e o seu adjunto João Zilhão por trazerem ao Estoril
Open 2009 James Blake, Nikolay Davydenko, David Nalbandian e, soube-se há dois
dias, Richard Gasquet.
Em ano de crise é obra e seria difícil fazer melhor. Resta
esperar pelos ‘wild cards’. Diz-se nos bastidores que haverá mais uma surpresa
de nível.
Qualquer dia terei de abordar neste Court Central o sucesso de João Cunha e Silva enquanto treinador. Semana após semana, os seus jogadores obtêm resultados dignos de registo. Frederico Gil e Rui Machado têm sido os mais badalados, mas, embora mais despercebido, o trabalho com Pedro Sousa é de elogiar. Este antigo vice-campeão nacional e 'top-15' mundial de juniores desistiu praticamente do ténis. Recomeçou a treinar há poucos meses com o grupo de Cunha e Silva em Oeiras e passou esta semana, em Albufeira, o seu segundo 'qualifying' seguido em eventos de 10 mil dólares.
Rui Machado e Leonardo Tavares nos quartos-de-final
Frederico Gil foi eliminado na segunda ronda de um torneio
de 125 mil dólares em Bogotá (Colômbia). Rui Machado e Leonardo Tavares jogam
hoje os quartos-de-final, respectivamente no 'challenger' de 106.500 dólares em
Marrequexe (Marrocos) e no Albufeira Future. Gastão Elias, depois de dois
oitavos-de-final seguidos, ficou-se esta semana pela primeira ronda no 10 mil
dólares de Sherbrook (Canadá). João de Sousa perdeu num 10 mil em Barcelona
(Espanha), tal como Martim Trueva e Ricardo Jorge no Future de Albufeira. Em Montechoro,
José Ricardo Nunes perdeu nos oitavos-de-final.
IRONIA do destino de um super-campeão dentro e fora do
‘court’
Stefan Edberg deu pela primeira vez nas vistas quando na
final de juniores do US Open de 1983 serviu para cima da virilha de um
juiz-de-linha. Richard Wertheim caiu, bateu com a cabeça no solo, teve um
enfarte e faleceu no hospital.
Edberg ganhou a final. Aliás, em 1983, andou despercebido
pelo 'qualifying' do Open de Portugal mas conquistou os quatro títulos de
juniores do Grand Slam, um feito único na história.
A ironia do incidente fatal é que o sueco era um exemplo de
correcção, numa época em
que Jimmy Connors e John McEnroe aterrorizavam as equipas de
arbitragem, ao ponto de forçarem a Federação Internacional de Ténis a criar o
primeiro código de conduta.
Tal como o silêncio de Bjorn Borg continha o mau génio de
John McEnroe, também a polidez de Stefan Edberg impunha respeito, até mesmo à
imprensa de escândalos que, quando o vasculhou, mais não encontrou do que
ter-se casado com Annette Olsen, uma antiga namorada de Mats Wilander.
Escreveu-se ainda que às vezes lavava as suas próprias roupas e a mulher cortava-lhe
o cabelo...
O seu lendário desportivismo, que rendeu-lhe um recorde
mundial de cinco prémios de 'fair-play', prémio esse posteriormente baptizado
com o seu nome pela ATP, provocou uma admiração ímpar entre os seus pares.
«É a encarnação da classe, o modelo que qualquer pai quer
para os seus filhos», disse Pete Sampras. «Nunca ouvi ninguém dizer mal dele e
nunca o ouvi dizer mal de ninguém», afirmou John McEnroe. «É o maior embaixador
que o ténis alguma vez teve», proclamou Boris Becker.
Stefan Edberg ganhou quase tudo o que um tenista
profissional pode almejar: três dos quatro títulos do Grand Slam, o Masters, a
medalha de ouro olímpica, a Taça Davis, o nº1 mundial e o galardão de campeão
do Mundo. Faltou-lhe apenas Roland Garros.
Mas mais importante foi provar que é possível ser-se um
super-campeão sem levantar a voz. Um arquear de sobrancelhas era suficiente
para fazer tremer o árbitro na cadeira.
Michelle Brito foi eliminada na primeira ronda do super-torneio de Indian Wells, depois de ter, brilhantemente passado a fase de qualificação. As duplas-faltas (14) continuam a ser preocupantes. Valeria a pena pô-la a falar com Elena Dementieva, para perceber como a antiga rainha das duplas-faltas ultrapassou essa lacuna, ao ponto de ser hoje em dia uma das candidatas ao posto de nº1 mundial.
Já o disse uma vez e repito: não é normal nesta rubrica ‘Tie-break’ destacar resultados nos escalões juvenis, mas há sempre honrosas excepções. Patrícia Martins, de apenas 14 anos, atingiu ontem, pela primeira na sua carreira, a final de um torneio de sub-18 da Federação Internacional de Ténis, na Suécia, e fê-lo tanto em singulares como pares. Gastão Elias, após sete derrotas seguidas, está pela segunda semana seguida em oitavos-de-final de torneios de 10 mil dólares. Magali de Lattre perdeu nos oitavos-de-final no 10 mil de Gizé mas disse-me que ainda não teve tempo de visitar as famosas pirâmides.
Entre mais de uma centena de convidados, contavam-se os dois candidatos à presidência da FPT, José Calheiros e Adolfo Oliveira, antigos presidentes da FPT como Armando Rocha, Marques da Silva e Pedro Coelho e grandes jogadores da nossa história como Alfredo Vaz Pinto, João Cunha e Silva e Frederico Gil, este último, o mais aplaudido.
Santos Serra, presidente da ATL, sublinhou o distrito de Lisboa ter o maior número de filiados na FPT (acima dos cinco mil), assinou um protocolo com a Associação de Treinadores para dinamizar o fomento da modalidade e mostrou um painel de patrocinadores digno de qualquer federação.
Feliz a opção de colocar nas mesas da frente os praticantes dos sub-10 aos sub-18, dando o protagonismo aos mais jovens.
E foi bonito o cumprimento sentido entre Frederico Gil, o nosso nº1, e Alfredo Vaz Pinto, sete vezes campeão nacional, que cumpre 70 anos em 2009. Gil recorda-se que num dos primeiros torneios que ganhou, tinha menos de dez anos, o troféu foi-lhe entregue por Vaz Pinto.
Muitos dos miúdos campeões regionais juvenis viram há pouco, na SportTv, Gil chegar às meias-finais do Open do Brasil e na gala olhavam para ele com admiração. Um dia, um deles poderá quebrar os seus recordes nacionais. Até Roger Federer ficou emocionado por ver Bjorn Borg na bancada quando igualou o recorde do sueco de cinco títulos em Wimbledon.
Vaz Pinto dizia-me que não não se sente ofendido quando ouve ou lê nos media que Gil é o melhor português de sempre. «Antes pelo contrário», assegurou-me. Todos necessitamos de referências e passar o testemunho sem dramas é uma prova de renovação, vitalidade e maturidade de qualquer modalidade.
Frederico Gil melhorou o recorde nacional de mais elevada
classificação de sempre de um português no 'ranking' ATP ao ascender à 81ª
posição. Rui Machado ganhou um torneio de 30 mil euros em Marrocos (apenas o
quinto português a vencer um challenger), atingiu o seu melhor ranking de
sempre (129º) e lançou o seu site oficial. Esta semana, Gastão Elias foi o
único português a ganhar uma ronda num quadro principal, num 10 mil dólares, no
Canadá. “Pepê”, que tem um novo treinador, colocou assim um ponto final numa
série de sete derrotas consecutivas.
DUBAI não cometeu o mesmo erro duas semanas seguintes mas
reforçou segurança no torneio
Andy Ram perdeu na primeira ronda de pares do Barclays Dubai
Championships mas fez história como primeiro israelita a jogar nos Emirados
Árabes Unidos (EAU).
«Fiz algo de muito grande», disse ele no final do encontro a
um grupo seleccionado de jornalistas convidado a entrevistá-lo. Os
organizadores não arriscaram uma conferência de Imprensa. Um sapato a voar na
sua direcção seria a consequência menos perigosa...
«Andy é muito simpático, está sempre a contar piadas e ficou
triste quando no ano passado não lhe deram visto para jogar no Dubai»,
contou-me a israelita Keren Shlomo, que chegou aos quartos-de-final de pares do
Portimão Tivoli Ladies Open.
Ram esteve permanentemente protegido por dois guarda-costas,
quer no hotel, no campo e em restaurantes, mas assegura ter sido «sempre muito
bem tratado». Até os juízes-de-linha árabes foram banidos do seu encontro. Já
Shahar Peer tinha elogiado a hospitalidade de Doha quando, em 2008, se tornou
na primeira israelita a jogar o Open do Qatar.
Dubai e Israel não têm relações diplomáticas e Ram precisou
de autorização especial, mas os EAU não quiseram desafiar pela segunda vez as
autoridades do ténis, uma semana depois da condenação da opinião pública à sua
recusa de dar um visto à israelita Shahar Peer.
O WTA Tour está de parabéns pela prontidão que reagiu e mais
importante do que os 300 mil dólares de multa que os media publicitaram, foi o
aviso de que o torneio será cancelado em 2010 se oito semanas antes do seu
início todos vistos necessários não tiverem sido emitidos.
Larry Scott, o presidente-executivo do WTA Tour, deu uma
lição de liderança à ATP, que nada fez no ano passado quando Ram foi proibido
de jogar, e assume-se cada vez mais como a única figura com peso político para
unificar os sectores masculino e feminino do ténis.
Também Andy Roddick merece elogios por recusar defender o
título de campeão no Dubai como protesto ao sucedido com Peer. São raras as
vezes em que um jogador salta para a praça pública em defesa do ténis feminino.
Há descriminações menos óbvias do que outras.
A Federação Portuguesa de Ténis elegerá novos corpos sociais
a 28 de Março, em Lisboa.
Há duas candidaturas: o advogado José Calheiros, actual
vice-presidente, e o treinador Adolfo Oliveira, antigo director-técnico
regional da Associação de Ténis do Porto. Independentemente do programa de cada
candidato, é importante haver duas listas. O debate é sempre positivo em
democracia.
António van Grichen é o primeiro treinador português a levar uma jogadora (a bielorrussa Victoria Azarenka) a dois títulos no WTA Tour: Brisbane em Janeiro e Memphis na semana passada. Rui Machado está nos quartos-de-final do 30 mil dólares de Meknés. Uma lesão provocou a derrota de Frederico Gil nos oitavos-de-final do 100 mil de Besançon, mas fixou um novo recorde de melhor classificação de um português no 'ranking' ATP (82º). No 10 mil de Terrassa João de Sousa ficou-se na primeira ronda. Maria João Koehler, Ana Claro e Catarina Ferreira fizeram com que pela primeira vez três portuguesas passassem uma ronda no 10 mil de Portimão. No WTA Tour, Frederica Piedade caiu na segunda ronda da qualificação em Acapulco.
Scott estava no Dubai em 2008 quando dois israelitas foram impedidos de jogar pares no torneio do ATP World Tour e avisou logo as autoridades políticas e desportivas locais que se algo de semelhante ocorresse com Peer em 2009 haveria sanções pesadas.
O presidente-executivo do WTA Tour colocou a hipótese de anular o torneio já em 2009, mas foi a própria Peer e a sua família a assinalar que tal medida prejudicaria as outras jogadoras que estavam no Dubai.
As colegas de profissão, que dentro do 'court' são ferozes adversárias, uniram-se e declararam o apoio público a Peer, sobretudo as irmãs Williams. Venus e Serena sabem o que é a descriminação racial e não admitem descriminações religiosas ou políticas.
Na entrevista DN/TSF de domingo passado, Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal, dizia que «estamos um pouco na réplica do que aconteceu ao longo do Mediterrâneo nos séculos V e VI, em que a riqueza foi de ocidente para oriente».
A crise financeira internacional fez com que desportos profissionais como o ténis e o golfe procurassem no Golfo Pérsico os patrocínios que se arriscam a faltar na Europa e nos EUA. Não é por acaso que há grandes eventos no Qatar (por exemplo, o Masters do ténis feminino) e no Dubai (o milionário World Championship em golfe).
É por isso vital não branquear a gravidade da questão e não vender os regulamentos desportivos aos petrodólares. Scott sublinhou que «embora seja uma perda cancelar um torneio de dois milhões de dólares, um dos principais depois dos do 'Grand Slam', há questões de princípios» que não podem ser ultrapassadas.
Ingerências da política no desporto são intoleráveis e como frisou Peer – que até já jogou pares com a muçulmana indiana Sania Mirza – «desta vez pisou-se o risco vermelho». A mensagem parece ter passado e hoje mesmo o israelita Andy Ram recebeu visto para jogar para a semana o torneio ATP no Dubai.
CURTO PRAZO. O actual nº1 vai
bater quase todos os recordes. É só uma questão de tempo
Se Frederico Gil vencesse o
Open do Brasil desta semana seria coroado directamente o melhor tenista
português de sempre, quebrando fronteiras históricas fixadas por Nuno Marques e
João Cunha e Silva, mas, por enquanto, ainda não detém esse estatuto, mesmo que
na próxima segunda-feira ocupe a melhor classificação de um português no
‘ranking’ ATP.
Ao chegar às meias-finais em Joanesburgo Gil
igualou o recorde nacional do seu treinador, João Cunha e Silva, o único a
atingir uma fase tão adiantada no ATP World Tour, em Telavive, em 1992.
A consequência foi figurar no
86º posto do 'ranking' ATP pela segunda vez, repetindo a melhor cotação de um
português, estabelecida por Nuno Marques em 1995.
Cunha e Silva nunca entrou no
'top-100' mundial de singulares e Marques nunca franqueou os quartos-de-final no
ATP World Tour. Poderemos, então, dizer que Gil é já o melhor tenista português
de sempre por acumular os dois recordes?
É prematuro afirmá-lo, mas
repito que irá assumir esse estatuto brevemente. A voracidade com que os media
elegeram logo em 2006 Roger Federer o melhor de todos os tempos, é a mesma que
os leva a proclamar já Gil o expoente máximo das raquetas lusas só por causa do
'ranking'.
Se há vida para além do
défice – como dizia o ex-Presidente da República Jorge Sampaio – também há
carreira para além do 'ranking'.
Marques defrontou Sampras (14
Grand Slams e nº1 mundial), Muster (1 Grand Slam e nº1 mundial), Ivanisevic (1
Grand Slam e nº2 mundial), Chesnokov ('top-ten'), Bruguera (2 Grand Slams e
nº3), Kafelnikov (2 Grand Slams e nº1), Stich (1 Grand Slam e nº2), e Medvedev
('top-ten'), podendo ainda orgulhar-se de ter derrotado Korda (1 Grand Slam e
nº2), Steeb (vencedor da Taça Davis), Berasategui ('top-ten'), Sanchez
('top-ten') e Ferrero (1 Grand Slam e nº1).
A melhor vitória do ténis
português continua a pertencer-lhe, quando eliminou no Estoril Open o então
vice-campeão de Roland Garros e nº7 mundial Alberto Berasategui! Somou 32
vitórias na Taça Davis e foi 'top-100' mundial de pares.
Tal como Federer, Gil será o melhor do seu
quintal. É só uma questão de tempo.
Diogo Gaspar Ferreira contou-me que anda a negociar com
Bjorn Borg para que represente Vale do Lobo. No golfe os 'Touring Pros' são
profissionais que usam o logótipo de um campo de golfe no chapéu, saco ou
roupa, e nos 'Pro-Ams' contam aos amadores as vantagens dos complexos
turísticos que publicitam. No ténis o mais parecido é o contrato do Dubai com
algumas das estrelas do WTA Tour. Vale do Lobo tem o epíteto de 'resort'
turístico de luxo. Se assinar com o antigo nº1 e vencedor de 11 Grand Slams
terá um campeão de luxo a promovê-lo no Mundo.
«Nadal é um animal. Pode
jogar um dia inteiro e sempre ao mais alto nível. Fazer o que ele fez em
Melbourne, vencer um encontro de cinco horas e voltar para vencer a final é
algo de inacreditável. Temos de tirar-lhe o chapéu e prestar o maior respeito
ao miúdo», Pete Sampras.
Em torneios de 10 mil dólares, perderam na primeira ronda
Maria João Koehler no Albufeira Ladies Open (passou a qualificação) e João de
Sousa em Cartagena (Espanha). Em 15 mil, Leonardo Tavares em Abidjan (Costa do
Marfim) e Gastão Elias em Cartagena (Colômbia) também cederam de entrada. No 50
mil de Cali (Colômbia) foi Frederica Piedade a tombar à primeira. Magali de
Lattre só perdeu na última ronda da qualificação do WTA Tour de Pattaya
(Tailândia), onde Neuza Silva chegou aos oitavos-de-final. No ATP World Tour da
Costa do Sauípe (Brasil), onde Frederico Gil brilhou, Rui Machado passou o
'qualy' e perdeu nos “oitavos”.
João Lagos advoga atribuição de instalações à FPT na
infra-estrutura a construir no Estádio Nacional
A recente manifestação do secretário de Estado da Juventude
e Desporto, Laurentino Dias, de pouca disponibilidade do Governo em financiar o
regresso em 2009 da Fórmula Um a Portugal só veio confirmar o que escrevi na
semana passada, ou seja, que por muito que seja consensual a necessidade de se
construir uma sede definitiva para o Estoril Open no Jamor, não há capacidade
do erário público para suportar custos de, no mínimo, 30 milhões de euros.
A única solução no curto prazo, como disse há uma semana,
passa por um financiamento público-privado, caso João Lagos consiga reunir
outros investidores.
Sempre defendi que se a requalificação do complexo de ténis
do Estádio Nacional fosse custeada pelo Estado só poderia haver dois
proprietários da nova infra-estrutura: a própria administração central através
do Centro Desportivo Nacional do Jamor ou a Federação Portuguesa de Ténis
(FPT).
A entidade proprietária do complexo deveria depois
concessioná-la a privados, preferencialmente à João Lagos Sports, por ser a
empresa organizadora e promotora do Estoril Open.
Com a abertura do financiamento do projecto a capital
privado, provavelmente em larga maioria, terei de mudar de opinião e considerar
legítima a entrega total da infra-estrutura e não apenas a sua exploração a
privados, uma vez mais, preferencialmente a João Lagos, mediante o pagamento de
uma renda anual cujo valor poderia e deveria reverter a favor da FPT.
Em conversa com João Lagos percebi que o proprietário do
Estoril Open veria esta solução com bons olhos e há total abertura da sua parte
para atribuir à FPT uma sede vitalícia na infra-estrutura definitiva do Estoril
Open, o que permitiria vender a actual sede da FPT em Linda-a-Velha e amortizar
parte do seu passivo.
Termino hoje esta série de quatro artigos sobre a exigência
internacional de novas infra-estruturas para torneios de ténis e de como
poderemos ultrapassar o crónico problema da sede definitiva do Estoril Open, mas
é provável que o assunto esteja ainda longe de encerrado.
A FPT recuperou para 2009 o programa criado em 2007 e suspenso em 2008 (por falta de verbas) de acompanhamento técnico aos principais jogadores portugueses dos vários escalões etários em torneios internacionais realizados em Portugal. No Vale do Lobo Ladies Open estiveram Pedro Pereira (seleccionador feminino de sub-16) e Miguel Sousa (sub-18). «É um programa muito vantajoso porque a maioria das nossas jogadoras não têm ou não podem viajar com os seus treinadores», explicou Pedro Cordeiro, o seleccionador nacional da Fed Cup e da Taça Davis.
Frederico Gil é o primeiro
português aqualificar-se por três vezes
para os quartos-de-final no ATP World Tour. O 99º tenista mundial tenta em
Joanesburgo tornar-se no segundo português a chegar às meias-finais depois do
seu treinador, João Cunha e Silva, em 1992 em Telavive. No Vale
do Lobo Ladies Open Maria João Koehler passou a fase de qualificação e
juntou-se no quadro principal a Catarina Ferreira, Joana Pangaio e Ana Claro.
Na Costa do Marfim Leonardo Tavares foi eliminado nos oitavos-de-final e João
de Sousa perdeu à primeira em Espanha.